A vinda a público de várias notícias, associadas a declarações e contactos da administração da CIMPOR com os trabalhadores da empresa, «confirmam o risco que está colocado quanto à continuidade da produção de cimento na região do Algarve e dos postos de trabalho na fábrica de Loulé», o que já levou o PCP a manifestar a sua preocupação.
«O processo que está em curso visando a implementação do lay-off na fábrica de Loulé, envolvendo a paragem na produção, a redução do salário dos trabalhadores (pagos no essencial pela Segurança Social), podendo responder aos interesses de maximização do lucro por parte dos acionistas da empresa, não responde nem aos interesses da região, nem do país. Na verdade, trata-se de uma situação que é inseparável do processo de privatização da CIMPOR, iniciado em 1994, prosseguido por sucessivos governos do PS e PSD e concluído pelo último governo PSD/CDS. Uma privatização, combatida e denunciada pelo PCP que determinou que aquele que chegou a ser o mais importante grupo industrial português, esteja hoje nas mãos de um grupo económico brasileiro – Camargo Correa – com uma estratégia e objetivos que nada têm a ver com os interesses nacionais», acusa esta força política.
Segundo os comunistas, «a fábrica da CIMPOR em Loulé emprega direta e indiretamente quase 200 trabalhadores, o seu impacto no concelho de Loulé e na região é no entanto mais vasto, envolvendo atividades tão diversas como a própria movimentação de cargas a partir do porto de Faro. A ameaça de lay-off (que em muitos casos se traduz em ante-câmara de encerramento) na fábrica de Loulé – cuja actividade actual tem estado sobretudo concentrada na produção de cimento para a exportação (Argélia) e no mercado interno – representa, não só mais um rude golpe no aparelho produtivo regional, mas também, uma séria ameaça que vai crescendo de deslocalização da produção de cimento no nosso país, agravando a dependência de Portugal no acesso direto a uma matéria-prima estratégica», lamentam os comunistas, em nota de imprensa, enviada na terça-feira, 28 de junho.
O PCP «prova» que «a produção nacional tem sido desprezada» pelo «facto, mais trágico do que caricato, de ao lado da fábrica da CIMPOR estar em construção uma gigantesca obra (IKEA) com cimento… espanhol».
Por fim, os comunistas não aceitam que «face aos mais de 500 milhões de euros de lucros apresentados pelo grupo (INTERCEMENT) económico onde se insere a CIMPOR – com 39 fábricas de cimento espalhadas pelo mundo (três em Portugal) – que seja interrompida a produção de cimento em Loulé, reduzidos os salários e ameaçados os postos de trabalho colocando a Segurança Social a pagar as opções dos acionistas da empresa. O que se exige é a tomada de medidas para a diversificação de clientes e mercados (incluindo o mercado interno), a modernização e investimento na produção, a valorização dos direitos e condições de trabalho incluindo com a integração de muitos trabalhadores que trabalham na fábrica por via dos chamados empreiteiros (contratos de prestação de serviço)», concluem.
Por tudo isto, o Grupo Parlamentar do PCP já questionou o Ministro da Economia sobre as medidas que o governo irá adotar para impedir a paragem de laboração na fábrica da CIMPOR em Loulé e se pondera recuperar, a prazo, o controlo público da produção de cimento, estratégica para o desenvolvimento do país.