- Administrador/CEO do grupo Open Media
- Presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA)
- CEO e fundador do Atelier do Sul
- Diretor geral do Boavista Golf & Leisure Resort
- Sócio e diretor de vendas da Cerro Novo Property Sales and Services
- Empresário e Dirigente Associativo Empresarial
- Sabe o que é o BREXIT?
- Principal Cliente Turístico
Bruce Hawker
Administrador/CEO do grupo Open Media
Caso o Reino Unido opte por sair da União Europeia, há desde logo o receio que a Libra Esterlina se possa desvalorizar face ao Euro. Isto tem sempre um efeito negativo para todos nós no Algarve. Influencia o dinheiro que os turistas britânicos trazem na carteira para gastar, a imobiliária, e até o rendimento dos pensionistas britânicos que vivem na região. Muitos peritos acreditam, no entanto, que o Euro também perderá valor. Neste caso, quer a Libra, quer o Euro podem vir a cair a pique face ao Dólar, o que para nós, não seria desastroso. Receio, no entanto, que o BREXIT poderia acender o rastilho do fim da Europa tal como a conhecemos hoje, sendo a Grécia a próxima a cair. Por outro lado, tudo indica que um BREXIT irá provocar uma recessão imediata no Reino Unido e como todos sabemos, basta a Inglaterra ficar constipada para nós aqui no Algarve apanharmos uma gripe. Dada toda a fragilidade da economia, neste momento, tanto no Reino Unido como em Portugal e no resto da Europa, considero que o risco é demasiado grande e os efeitos poderão ser desastrosos.
Elidérico Viegas
Presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA)
Estou convicto que o Reino Unido irá permanecer na União Europeia. Um BREXIT nesta altura do campeonato é tudo aquilo que não pode acontecer, tanto mais que Deus, às vezes, é algarvio. Se isso se viesse a verificar, as implicações no turismo do Algarve seriam terríveis. A depreciação da Libra Esterlina face ao Euro poderia atingir os 20 a 30 por cento, afetando seriamente o poder de compra dos turistas britânicos e, por essa via, a competitividade e os resultados económicos das nossas empresas, consubstanciados em um aumento do desemprego e número de insolvências. Recordo que 55 por cento do tráfego registado no aeroporto de Faro é oriundo da Grã-Bretanha, representando as dormidas deste mercado cerca de 5,750 milhões e os hóspedes um milhão, apenas nos estabelecimentos classificados oficialmente. Por outro lado, o volume de investimento em segundas residências e turismo residencial envolve mais de 750 mil ingleses em cada ano. O turismo do Algarve acabava? Não, mas que levava um grande rombo… lá isso levava.
Fred Phillips
CEO e fundador do Atelier do Sul
Tenho tido a felicidade de viver e trabalhar em Portugal ao longo dos últimos 40 anos, e para falar verdade, não sigo de perto as notícias do Reino Unido. De facto, só recentemente é que comprei um sistema de televisão que me permite ver alguns canais britânicos. A primeira vez que ouvi a palavra BREXIT foi na comunicação social portuguesa, que vejo diariamente. Pensei logo, enquanto profissional de design e comunicação, que seria um bom nome para um cereal de pequeno-almoço! Não sou uma pessoa informada sobre este tema, mas a verdade é que ninguém é. Sobretudo o cidadão comum. Considero que uma Europa unida no comércio interno e externo, compete melhor com grandes potências mundiais, como os EUA, a China, entre outras. Quanto mais fraturada e dividida estiver, pior. Se pensarmos numa economia de escala, uma Europa maior é melhor. Chegámos agora ao fim de uma recessão profunda, muitos de nós ainda nem sabemos como é que foi possível sobreviver. A última coisa que precisamos agora é de instabilidade.
Phillip Pope
Diretor geral do Boavista Golf & Leisure Resort
Há uma grande falta de informação clara e imparcial sobre as implicações, benefícios e possíveis riscos de tal decisão. Na verdade, isto tem sido substituído por um discurso retórico e alarmante que só tem contribuído para a atual incerteza. E até se poderá questionar a legitimidade deste referendo. Para quem vive no estrangeiro, a taxa de câmbio é a principal preocupação. Mas também os direitos europeus no que toca aos cuidados de saúde, impostos e pensões. Uma coisa é certa. Os mercados odeiam incertezas e isso já se refletiu no valor da Libra desde o anúncio deste referendo, com os turistas britânicos a gastarem menos no Algarve. A relativa segurança que se vive em Portugal tem atraído cada vez mais estrangeiros. Mas muitos britânicos têm hesitado em investir em propriedades até ao desfecho desta questão. Por outro lado, também se desconhece qual será a reação dos outros estados-membros no caso de BREXIT. Poderá gerar sentimentos vingativos contra o Reino Unido e nada disto será positivo a médio prazo.
Robert Edwards
Sócio e diretor de vendas da Cerro Novo Property Sales and Services
É fácil perceber porque tanta gente no Reino Unido considera votar favoravelmente a uma saída na União Europeia. É sobretudo devido à falta de transparência e ética de muitas das condições que nos são impostas pela UE. Claro que há outras razões que pesam nesta decisão, por exemplo, continuarmos a ter facilidade em viajar. Todos nós, residentes britânicos no Algarve, percebemos quão privilegiados e sortudos somos, sentimo-nos aceites pelos portugueses e temos aqui uma qualidade de vida fantástica. É verdade que muitos investidores têm estado reticentes em comprar propriedades, pelo menos até à votação, e outros aguardam a valorização da Libra face ao Euro. Mas no caso de um BREXIT, estamos convictos que as autoridades portuguesas vão continuar a encorajar os britânicos a investir, residir e passar férias aqui. Também há muitos cidadãos portugueses a viver no Reino Unido e penso que ambos os países têm interesse em continuar a fortalecer as relações entre si. O pior cenário, para além da desvalorização da libra, será o BREXIT poder dar início ao eventual desmantelamento da UE.
Vítor Cabrita Neto
Empresário e Dirigente Associativo Empresarial
No dia 23 de Junho os cidadãos do Reino Unido vão decidir a permanência do país na União Europeia. O resultado é incerto. Uma eventual saída do Reino Unido da UE teria impacto no Turismo em Portugal. E sobretudo no Algarve. Importa pois acompanhar a situação e definir uma atitude adequada. O Reino Unido é o principal cliente turístico de Portugal. Em 2015 gerou 8,3 milhões de dormidas (alojamento classificado), 24% do total nacional (estrangeiros), e mais de 2000 milhões de euros de receitas (externas), 18 por cento do total nacional. O Algarve é o principal destino dos turistas do Reino Unido em Portugal, com 5,6 milhões de dormidas só no alojamento classificado (2015), quase 70 por cento do total das suas dormidas no país. Provêm do Reino Unido muitos dos investidores na imobiliária residencial no Algarve. Muitos milhares de cidadãos britânicos residem na região. O que pode então mudar num eventual novo quadro económico? Como o Reino Unido não faz parte da zona euro, os elementos condicionantes da procura do nosso mercado vão continuar a depender, como no passado, sobretudo de dois fatores. O primeiro é a a evolução da economia e do poder de compra dos cidadãos do Reino Unido; O segundo será a relação de câmbio da Libra face ao Euro. Na eventualidade de uma saída do Reino Unido, pode acontecer que, caso algum destes dois fatores piorar, isso possa ter consequências negativas nas saídas dos turistas para o estrangeiro. Portanto, também para Portugal e para o Algarve. O que fazer então? É simples: continuar a apostar no Reino Unido como mercado prioritário com a máxima atenção; melhorar e reforçar a nossa oferta; criar mais capacidade competitiva; reforçar e adequar a nossa promoção a essa eventual nova realidade. O que exige empenho dos empresários, dos órgãos regionais e nacionais de Turismo. E do governo. O que é menos simples.
Sabe o que é o BREXIT?
O termo BREXIT é uma fusão de duas palavras em inglês. Neste caso, «Britain» diminutivo nativo para Grã-Bretanha e «Exit», que significa saída. Resume e expressa o risco de uma eventual saída da União Europeia.
Principal Cliente Turístico
Em 2015, o mercado do Reino Unido gerou 8,3 milhões de dormidas (alojamento classificado), 24 por cento do total nacional (estrangeiros), e mais de 2000 milhões de euros de receitas (externas) para a economia portuguesa.




Robert Edwards