Não é todos os dias que se vê um carro artesanal, em forma de bolo de aniversário (incluindo velas e efeitos pirotécnicos), descer livremente cerro abaixo. «Fomos surpreendidos pela forma com que um dos participantes, o Adérito Silva, encontrou para homenagear o décimo aniversário» da corrida de carrinhos de rolamentos, organizada pela Associação Cultural de Boliqueime, que decorreu durante o passado fim de semana.
«No início, pensámos em recuperar os costumes antigos e realizar uma corrida para a população. Há 30 ou 40 anos, a malta nova juntava-se à volta desta brincadeira popular. E temos tido sempre muita adesão», conta Nuno Trindade, 33 anos, bancário e membro da organização.
Por coincidir com a final do campeonato de futebol, a participação na prova, somou 20 participantes, no domingo, 15 de maio. Número um pouco abaixo da média. Como é habitual, a prova fez-se na via pública, numa das principais descidas da freguesia, com cerca de 800 metros, no sítio de São Faustino/Alfontes, onde a inclinação chega a superar os 8 a 10 por cento.
A prova prevê duas categorias nas quais todos participam: a de velocidade (por eliminatórias) e a de criatividade. Esta edição houve também um prémio feminino (para Patrícia Susana) e de fair play.
A idade mínima de participação é 14 anos, «porque é perigoso. Os carros podem atingir velocidades até aos 70 quilómetros por hora» e é obrigatório o uso de capacete e travões eficazes. Não são permitidos objetos pontiagudos que possam perfurar ou cortar (os adversários).
Ainda assim, há quem pregue partidas. Domingos Telo, um veterano, trouxe um F1 equipado com spray para molhar o público à sua passagem.
«Os carrinhos de rolamentos estão bem vivos aqui no Algarve. Há um circuito que passa por Monchique, Alferce, São Marcos da Serra, Santa Catarina», refere. As provas dão oportunidade aos habilidosos, amadores e entusiastas da mecânica de puxarem pela imaginação. «Já tivemos um burro, pipas de vinho, banheiras, um fardo de palha com rodas, um TGV, corta-relvas, uma sanita, um carro feito com persianas em PVC… há sempre novidades».
«Não é fácil construí-los. Envolve algum conhecimento técnico de várias áreas, por exemplo, carpintaria e eletricidade. Há quem instale luzes para as descidas noturnas, buzinas e rádios. Alguns estão mesmo bem equipados», diz. Na descida livre, realizada no final da competição, a organização não se responsabiliza pelo que possa acontecer. Este ano, tal como no futebol, Vitor Rui Neves em «Kawasaki», sagrou-se tricampeão.