A ideia tem sido juntar operadores turísticos, agentes de viagens e jornalistas à descoberta de um concelho do Algarve. Na passada quinta-feira, 29 de outubro, foi a vez de Tavira. O programa de cada visita é secreto. Mas até os mais experientes e conhecedores da região, admitem que há sempre algo de novo a descobrir nestas viagens de familiarização (fam trip).
Por exemplo, uma exposição de pintura sobre Napoleão e as invasões francesas e o espólio que um médico benemérito legou à cidade. Segredos expostos na Casa do Despacho da Igreja da Misericórdia, em pleno centro histórico.
As lendas das mouras cativas, a gastronomia, um novo espaço dedicado ao fado, passando por um cruzeiro na ria Formosa, e a subida à antiga torre de vigia do antigo Arraial Ferreira Neto (atual Hotel Vila Galé Albacora) no lusco-fusco, foram os pontos altos do programa. A fam trip contou com a companhia de Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA).
Entre aventuras, o «barlavento» conversou com o socialista Jorge Botelho, autarca de Tavira, para se inteirar das últimas notícias. «São várias. Estamos a afirmar o concelho em termos turísticos. Estamos a reabilitar património, a promover os museus, a afirmar a Dieta Mediterrânica. E estamos a fazer um conjunto de intervenções importantes na rede viária».
«Lançámos projetos para que a velha ponte metálica» montada pelo Exército em 1989, «com 26 anos, e que, na altura, seria provisória por dez anos», seja substituída por uma nova, já em 2016. No centro urbano de Tavira, «temos mobilidades suaves e de baixa densidade, mas obviamente que não podemos fechar completamente a nova ponte ao trânsito», explicou Botelho, avançado que a nova infraestrutura terá também espaço para peões e ciclovia.
Mas a maior novidade, acompanha o grande investimento que o município tem feito na Cultura. «Aguardamos uma candidatura que nos vai permitir investir cinco milhões de euros na reabilitação do Cineteatro António Pinheiro, o único espaço do género no Algarve, que ainda não está reabilitado. Tavira, enquanto terra turística precisa de espaços» para o verão, como o auditório ao ar livre da praça da República, «mas também precisa de um auditório de 350 lugares». Para Santa Luzia está previsto «um conjunto de investimentos privados na área do imobiliário», disse Jorge Botelho, sem entrar em pormenores. No entanto, o presidente da Câmara Municipal elogiou a reabilitação da estrada de ligação entre a capital do polvo e Pedras, «uma intervenção da sociedade POLIS que também reabilitou, a estrada para as Quatro Águas».
Acerca da visita dos operadores e jornalistas, «sem dúvida que é importante. Temos feito um esforço para estarmos presentes em várias feiras, porque cada vez mais o turismo atrai-se com muita promoção». No entanto, apesar da vocação turística de Tavira, «queremos preservar esta terra, com a sua traça histórica original, porque isso é que vai diferenciar o Algarve nos próximos anos».
Questionado sobre o seu mandato, Botelho é sucinto: «hoje estamos a fazer obras, o passivo municipal baixou 50 por cento e isso é de registar. Pagamos a menos de um mês. Não temos dívida de curto prazo, e estão em curso vários projetos de reabilitação patrimonial. As estradas com buracos vão progressivamente desaparecendo e há toda uma dinâmica de apoio que damos à população», concluiu.
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Pego do inferno, para quando?
Além das praias, um ex-libris muito procurado de Tavira é a queda de água do Pego do Inferno, cujo acesso e estruturas de apoio ficaram destruídas no grande incêndio da Serra do Caldeirão, em 2013. Soluções? «Primeiro é preciso que chova, para que a cachoeira possa ter água. Tivemos dois anos secos e isso deu-lhe um ar desolador. Felizmente, já recuperou o verde», disse. «Temos 500 mil euros previstos no âmbito de uma candidatura ao programa Estratégias para o Desenvolvimento Local, em parceria com a associação In loco. Se for aprovada, faremos uma grande intervenção». Mesmo sem esse dinheiro, e já em 2016, «desde que haja água, o local será limpo e visitável através do acesso mais baixo. Queremos que volte a ter dignidade. Infelizmente, muito devido ao facto de não haver água, as pessoas acham que aquilo está degradado, mas estamos a falar da mãe natureza», garantiu Jorge Botelho.