Independentemente dos argumentos de contestação levados inclusivamente aos Tribunais, que assentam em algumas premissas de inteira justiça não usadas para a instalação do que as associações consideram o exagero de oferta de grandes superfícies na região, o IKEA, como potentado multinacional negoceia ao nível de Estado e aplana os caminhos que pretende alcançar, deixando às instâncias políticas e aos órgãos municipais o papel de validarem as superiores decisões e os argumentos, absolutamente gastos, da criação de postos de trabalho e riqueza, com o grosso em seu proveito, sem uma palavra sobre o rasto de destruição infligido na extensão do tecido económico, que no caso vai do Algarve até Setúbal e zonas fronteiriças de Espanha.
Na contestação de vários anos sobre o anúncio público, que tem tantas reuniões como palavreado para surdos (entidades, o que resta das próprias massas associadas e o público em geral), o intrigante nestes cavaleiros andantes é que já não se critica o projeto na sua flagelação, mas o seu sobredimensionamento(?!), o que, efetivamente ainda baralha mais as mentes de quem tivesse crença no processo paliativo.
Pela leitura dos processos passados que levaram ao tal exagero (não se percebendo a candura da tese do sobredimensionamento…), com casos de contrapartidas reprováveis que poderiam ter sido rondados pela alçada da Justiça, se esta funcionasse, a autognose desta caramunha associativa que se leu já ter ouvido o ranger de dentes do IKEA, não percebe que a sua autoridade está perdida no rasto do passado e que alguns figurantes e associações gozam do beneplácito do poder enquanto lhe forem úteis.
Há pessoas e organizações que nunca irão perceber que existem nos assentos e atraem fundos e proteções para sobejas irregularidades de funcionamento, porque têm destinados determinados papéis na conjuntura política… deixando o poder que a caramunha de face não se exceda e vá apenas ao encontro do estrito folclore para consumo de quem tem de arcar com os custos dos planos gizados e lacrados.
O IKEA é uma realidade porque Lisboa manda, como mandou no passado e, não há vespeiro que tenha forma de travar o processo que já está no terreno.
* Presidente da ACOSAL