Com «personalidades» sem fim a subscrevê-lo, sempre que surge um qualquer manifesto, fornadas de «comendadores» saídos a cada 10 de Junho e «gurus» de espécies várias apresentando, sem pestanejar e fazendo inveja a qualquer Professor Mambo – em simpósios, seminários e conferências promovidos, em particular, por imprensa tida de «referência», que, especialmente em tempo de crise, neles vê uma suplementar fonte de receitas, a par do apelo vampiresco, feito de manhã à noite, ao «ligue já e tente a sua sorte» – as mais variadas «soluções», para os mais variados problemas do país, não pode, pois, o cidadão comum deixar de admirar-se como foi possível o país ter chegado ao estado a que chegou e do estado a que chegou tardar em conseguir sair!
O que, entretanto, já não estranhará é o facto de ser notícia nacional, com direito a reconhecimento presidencial até, o gente simples ter encontrado um envelope com dinheiro no lixo e procedido à sua entrega a quem de direito ou não fosse confrontado, diariamente, com os «bons costumes» de certa «elite» político-financeira deste, cada vez mais murcho, «jardim à beira-mar plantado».
Por fim, com tanto apelo que é feito ao «empreendedorismo» da lusitana gente, em oposição à marginalização a que é remetido o mundo do trabalho, receia que um dia destes não haja trabalhadores para alimentar de mais-valias tantos empreendedores, a não ser que cada um destes passe a trabalhar para si próprio, acabando-se, por tal via, com o quebra-cabeças da «luta de classes» e descobrindo-se, depois do fracasso da «terceira via» de Tony Blair, uma lusitana e cheia de futuro «quarta via»!