Falamos do passado, do presente e do futuro com este jovem que, não tendo presente aquele momento que viveu como ardina, continua a ter um certo carinho pelo jornal da sua terra.
Ainda te lembras de quando «vestiste» a farda de ardina para apregoares o «barlavento»? Qual foi a sensação?
Não me lembro de como foi o dia, pois foi há muito tempo, mas lembro-me de que me diverti imenso e que estava feliz naquele momento. Aliás está retratado e é evidente na fotografia a satisfação e alegria que senti.
Com o passar dos anos, cresceste e foste acompanhando o «barlavento»? Qual a tua opinião sobre o jornal?
De alguma maneira sim, pois, não só sempre tive um familiar a trabalhar neste jornal, como os meus pais sempre foram consumidores ativos do mesmo. Por isso, o jornal acabou por estar perto de mim no meu dia a dia. A meu ver, o semanário desempenha um bom trabalho, procurando abranger e estar atualizado nas mais variadas áreas, o que é um ponto positivo para a divulgação da informação no Algarve.
A imprensa escrita, em papel, tem futuro?
Infelizmente, penso que, cada vez mais, existem formas mais acessíveis de uma pessoa aceder à informação e ter conhecimento sobre a atualidade, através de aparelhos eletrónicos, o que leva a que as pessoas procurem, cada vez menos, comprar numa papelaria ou quiosque revistas ou jornais. Não digo que seja uma coisa má, pois a informação vai estar sempre presente nas nossas vidas. Aquilo que se poderá perder é a tradição de essa informação nos ser dada em mãos.
Os jornais regionais ou de proximidade são importantes para as regiões?
Claro que sim, além de tudo o que contribui e dá à população, adquire uma especial importância por dar relevo e destaque à região. Notícias nacionais e internacionais existem inevitavelmente e chegam-nos de várias formas. Os jornais regionais ou de proximidade são vias privilegiadas de divulgação, ou como o nome indica, são meios mais próximos da população ter conhecimento daquilo que se passa e acontece «entre nós».
As novas tecnologias estão a contribuir para o isolamento das pessoas? Porquê?
Sim, as novas tecnologias contribuem para o isolamento das pessoas, pois dão-nos apenas uma ilusão de proximidade que não é real. Um exemplo vivo disso é estarmos no café com amigos e estarmos colados ao telemóvel nas redes sociais. Estamos assim perto do mundo, mas longe de quem nos rodeia. E vai ser cada vez mais difícil contornar essa situação pois o futuro da nossa humanidade, as novas gerações, já nascem e são educadas numa sociedade tecnológica.
Porque é que um jovem do Algarve vai estudar para outra região do país?
Antes de mais o curso que desejava não existia na minha região. Por outro lado, tive conhecimento por amigos e pessoas próximas, que estudar e ir viver para fora da minha cidade me ia trazer mais valias em termos pessoais e profissionais. E sei que por mais anos que esteja fora de Portimão, um dia vou sempre voltar.
O futuro passa por utilizar as energias renováveis? Porquê?
Passa sim, claro que sim. Vivemos num mundo em que a evolução e adaptação é a base de tudo, logo, arranjarmos formas mais limpas e sustentáveis de podermos viver neste planeta é fundamental para que possamos dar continuidade à nossa existência.