Em entrevista conta que os médicos descobriram, quase por acaso, que era diabético tipo 1, aos cinco anos. «A diabetes não é bem uma doença, porque não impossibilita nada. Temos de ter mais atenção à alimentação, alguns cuidados, como toda a gente deveria ter. Agora, com a bomba de insulina, é mais fácil, porque não tenho de recorrer à seringa tantas vezes».
barlavento – Como surgiu o trampolim na tua vida?
Gonçalo Martins – Por causa da diabetes. Achámos que era benéfico fazer um desporto e comecei com o futebol, mas não gostava muito. Uma senhora amiga tinha um filho na ginástica acrobática e pensou que os trampolins seriam bons para mim. Experimentei e adorei. Foi amor à primeira vista.
Portanto, aconselhas desporto a quem é diabético?
Sim, acho que se deve fazer, porque não é impeditivo.
Podes explicar melhor o teu «amor à primeira vista» com o trampolim?
No primeiro treino, o professor pôs-me a fazer velas, que é um salto em altura, e eu ia morrendo. Mas ele perguntava-me se queria fazer mais e eu respondia que sim. Estar lá em cima é uma sensação muito boa. Depois, é fazer um salto e ficar feliz, terminar uma série é sentir felicidade, é adrenalina. Por vezes, entusiasmamo-nos com os outros e queremos fazer melhor… são vários fatores juntos.
A gente sente-se assim um bocado pássaro?
Sim.
Se vocês praticam individualmente, além de tentarem superar os outros, também tentam ser cada vez melhores, não é?
É isso, a tentativa constante de nos ultrapassarmos.
Começaste no trampolim com que idade?
Aos sete anos e, na competição, aos oito anos. Primeiro, era fraquinho e falhava muitas vezes. Mas não me importava. Até podia nem ir às competições. Eu queria era saltar. Depois, ganhei a minha primeira medalha, em Messines, e fiquei muito entusiasmado. Comecei a evoluir, mas faltava-me um clique, que veio a acontecer durante um estágio com treinadores de outras zonas, onde a modalidade está mais desenvolvida.
Um campeão nacional é sempre selecionado para as competições internacionais?
Não, porque a Federação apoia muito pouco. As provas internacionais são às custas do clube e dos pais.
Qual é o panorama do trampolim no Algarve?
Há um clube novo em Faro, dois em Loulé, um em Messines, outro em Lagos, dois em Olhão e os bombeiros de Silves também têm. Mas as competições são quase todas de Lisboa para cima, o que torna caro competir. Sem os patrocínios das Câmaras é complicado. Contudo, o meu clube levou oito atletas, mais um sénior em duplo trampolim, ao campeonato do mundo de Daytona, em 2014. Tudo à conta de angariações de fundos, do clube e dos pais. Embora Portugal se tenha classificado como a quinta potência mundial, em termos de medalhas, o facto não foi divulgado pela comunicação social, o que torna difícil obter patrocínios.
Quais são as condições de treino?
Treinamos na escola primária padre Cabrita, em Vale de Rãs, depois das seis da tarde, cinco vezes por semana. Cederam-nos metade do pavilhão e temos a sorte de poder deixar os trampolins montados. Mas somos muitos e só há dois trampolins. Necessitávamos de mais material e espaço, para podermos melhorar as condições de treino. O pavilhão municipal não tem altura suficiente. O clube apoia o mais que pode, mas falta o suporte da federação.
Vocês necessitam de um espaço com que pé direito?
Doze metros, no mínimo. Eu não vou tão alto, mas os mais velhos, mais pesados, sim.
E o futuro, Gonçalo? Os Jogos Olímpicos no horizonte?
É o meu sonho, mas só posso ir em 2020.
Mas também há os Jogos Olímpicos da Juventude. Vamos começar com esses?
A esses, posso concorrer em 2018, se for selecionado. E também há o campeonato europeu, no próximo ano, mas vai ser difícil apurar-me, porque tenho de concorrer contra rapazes de 15, 16 e 17 anos. O peso conta bastante, porque permite saltar mais alto.
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Títulos conquistados
Dos títulos conquistados, podemos destacar, a par de vários troféus em competições internacionais:
Trampolim individual
3º Lugar no campeonato do mundo de Daytona, escalão 11-12 anos
Campeão nacional, em 2012 (infantis), 2013 e 2014 (iniciados) e 2015 (júnior elite)
Vencedor da Taça de Portugal, júnior elite, em 2015
Trampolim sincronizado
3º lugar no campeonato do mundo de 2014, em Sofia, e campeão nacional de 2015, formando equipa com o atleta
Ruben Tavares, da Academia de Sines.
Duplo mini trampolim
2º lugar no campeonato do mundo de Daytona, escalão 11-12 anos
Campeão nacional 2012 (infantis) e 2014 (iniciados)
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Ao terminar, o nosso entrevistado quis deixar um agradecimento público aos seus dois treinadores, Pedro Fernandes e Marco Gonçalves.