Depois de publicar uma compilação de crónicas políticas e uma dissertação sobre as contas dos municípios algarvios, tem um novo livro no prelo. Chama-se «Obsessão» e vai ser lançado na sexta-feira, 28 de agosto, pelas 18h30, na Biblioteca Municipal de Loulé.
É uma trama densa, de 550 páginas, nas quais o atual diretor do Centro de Emprego e Formação Profissional (IEFP) do Barlavento promete trocar as voltas ao mais experiente leitor de romances policiais
«Este meu gosto pela escrita foi-se sempre mantendo ao longo do tempo. Tenho mais de 300 crónicas escritas na imprensa regional, o que manifesta uma produtividade regular. Pensei: porque não escrever, digamos, algo de ficção, que pudesse estar de mais acordo com os meus gostos pessoais» na literatura universal e «ir ao encontro, de um público mais vasto»?
«Sempre gostei de policiais. Penso que fazem parte do nosso imaginário coletivo, figuras como o Sherlock Holmes, o Hercule Poirot ou a Miss Marple. É uma ideia que fui desenvolvendo, com pequenos esboços», releva ao «barlavento».
Na verdade, o enredo nem foi o mais difícil. O autor tinha alguns esqueletos guardados no armário. «Já tinha feito uma tentativa no passado, em 2001, e não consegui. Acabei por abandonar o projeto. Agora, peguei nessa história percebi o que falhou».
Em julho de 2014 decidiu avançar. «Estava com vontade de escrever, e tinha tempo, o que é um recurso importante para a escrita. Mas foi um salto no escuro. Não sabia se seria capaz de levar esta missão a bom porto», confidencia.
Até certa altura percebeu que seria mesmo capaz de concluir a narrativa com todas as intricadas ramificações que se cruzam ao longo da história. «O ritmo varia. Fui tomando notas sobre o que acontece a cada capítulo, para que tudo se encadeie. A bota tem de bater com a perdigota».
«O romance policial, na minha perspetiva, tem alguns elementos que são obrigatórios. Alguém matou, alguém morreu, alguém persegue alguém» e justifica-se quase sempre o leitmotiv para o crime.
«Depois, há vários tipos de finais» que culminam com a captura do culpado, ou não. «Há uma estrutura clássica. Ainda assim, podemos mudar o posicionamento de todos estes elementos».
E que mais? «Há um elemento unificador entre os meus três livros, que apesar de absolutamente distintos entre si, partilham um enfoque no concelho de Loulé. As crónicas tinham muito a ver com a atividade municipal, e com o meu entendimento na altura, sobre o que era o desempenho do então autarca e do partido que o suportava. O meu segundo livro tem por base uma metodologia de estudo, em que analiso as contas dos diferentes municípios do Algarve. Além desse enquadramento, foco-me em específico no município de Loulé. Agora, esta história desenvolve-se na cidade e no concelho, embora haja pequenas passagens por Faro».
«A autarquia aparece no livro. Aparecem os cafés, as ruas e toda uma vivência. Penso que as pessoas vão reconhecer os sítios. É muito difícil que não nos inspiremos nalgumas pessoas que nos são próximas e nalguns detalhes, que vertem nas personagens que habitam no livro. Está lá tudo, em diferentes doses. Mas tudo não passa de ficção», garante.
Miguel Angel Lopes Madeira nasceu em Caracas, na Venezuela, a 1 de outubro de 1966. Aos sete anos vem residir para Loulé, terra dos avós e dos pais, onde tem as suas memórias afetivas e iniciou a sua vida profissional.
Apaixonado pela banda desenhada, foi dirigente associativo, passou pela docência, foi responsável pela Divisão de Juventude da autarquia de Loulé, onde foi também adjunto do ex-autarca Seruca Emídio. Desde então, passou pela ARS/Algarve e pelo IEFP em Loulé e atualmente em Portimão.
Curiosamente, partilhou «com muito pouca gente que estava a escrever» um romance. Concluída a história, e sem qualquer opinião de terceiros, enviou o policial diretamente para cerca de 20 editoras, em março passado.
«Tive três respostas. Escolhi a que me apresentou as condições mais favoráveis e que partilha comigo, de forma mais ativa, o risco» de lançar um novo autor no género. Assim, o livro vai sair com chancela da «Chiado Editora», de Lisboa.
Da sua experiência anterior na imprensa regional, o escritor sabe que «estou exposto à crítica. Mas aquilo que me satisfaz é que concretizei um projeto até ao fim e que realizei um sonho que tinha», conclui.
A apresentação do livro em Loulé conta ainda com a particição de Joaquim Vairinhos, professor, político, poeta e personalidade local.
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Biografia literária
Em 2006 Miguel Madeira lança o livro «A Cruzada», na qual compila os seus textos políticos publicados entre março de 2000 e janeiro de 2002, no extinto quinzenário «Algarve Hoje». Depois, publica «A Governança Municipal: Os desafios da gestão local nas modernas democracias», em 2011, pela Colibri, que resulta do seu mestrado em Administração e Desenvolvimento Regional (2010) na Universidade do Algarve. Como o próprio descreve, «um livro com um carácter técnico» e por isso, destinado a «um público mais restrito». Em 2015 estreia-se na ficção com «Obsessão», deixando o caminho livre para outras obras futuras.