São dois dias dedicados à agricultura biológica, para explicar, quer a agricultores, quer ao público em geral, quais as vantagens que pode trazer à «saúde pública, ambiental ou para o desenvolvimento da economia local».
Segundo Jaime Ferreira, «o novo quadro comunitário é mais favorável que o anterior, e haverá mais apoios para jovens produtores» que queiram investir neste tipo de agricultura. «Iremos apresentar exemplos concretos dos procedimentos e dos apoios disponíveis», revelou.
Um ponto também essencial no programa é explicar a necessidade «das escolas inverterem o consumo de alimentos convencionais e com químicos».
A festa BIO regressa assim a Lagos, pelo segundo ano consecutivo, uma vez que há um forte interesse por parte do município nesta temática, bem como grande potencial em termos de produtores. É o caso, por exemplo, da quinta «Monte da Casteleja», que se dedica à produção de vinho biológico. O certame conta com cerca de seis a oito stands e três dezenas de inscrições. No entanto, o programa não se vai focar apenas neste concelho, e inclui uma viagem a Castro Marim, na tarde de sábado.
«O exemplo da Quinta da Fornalha é muito interessante. Fazem uma grande aposta na exportação de figo fresco para França, apostam na transformação de produtos tradicionais como a alfarroba e figo, e ainda gerem uma unidade de agroturismo. Os responsáveis exploram ainda a salicultura e têm uma grande capacidade organizativa com outros agricultores: juntam produções de vizinhos e locais para transformação e exportação», justifica Ferreira.
Em termos nacionais, Trás-os-Montes acolhe o maior número de agricultores biológicos do país, mas o Algarve começa agora a revelar todo o seu potencial. Lagos e Tavira são líderes. «Há cada vez mais interesse e procura e neste momento, a produção é inferior à procura», revela Ferreira, que ao longo dos últimos nove meses, foi consultado para dez projetos de investimento só no Algarve. A nível nacional, desde janeiro, a média de pedidos tem sido de dois por dia.
Frutas e legumes são a principal aposta, até porque são consumidos numa base diária. Mas há também outros produtos como o pão biológico, o azeite ou o vinho. Os últimos dois são «exportados quase na totalidade». Questões de saúde e razões ambientais são as duas principais razões dos consumidores.
A promoção da venda direta de produtos biológicos em feiras e mercados tem sido uma das apostas da associação, uma vez que os produtos são bastante mais baratos do que em contexto de grande superfície comercial. Em Portimão, por exemplo, junto ao teatro TEMPO decorre todos os sábados o «mercado AGROBIO», o qual conta com três produtores que disponibilizam produtos hortícolas como frutas e legumes e a preços mais acessíveis. Ferreira pretende a curto prazo replicar este projeto em Lagos.
«Um agricultor biológico tem de estar mais bem preparado. É necessária formação, preparação, investigação e inovação por parte dos produtores». O facto de a maioria ter entre 25 e 45 anos e ser «cada vez mais jovem» é uma vantagem e está a criar um novo paradigma na agricultura, com novos ideais e atitude para com sector. Têm sobretudo «mais cuidado com as questões ambientais. São outra geração onde se valoriza a proteção do ambiente.
Afinal, a agricultura convencional é uma das maiores fontes de poluição direta no nosso planeta», revela Ferreira.
Durante os dois dias, para além do mercado com expositores biológicos, o programa inclui ainda seminários e palestras no Salão Nobre dos antigos Paços do Concelho, e no sábado, um almoço no núcleo algarvio de apoio aos agricultores biológicos na Quinta das Seis Marias, no Sargaçal. Até dezembro a AGROBIO planeia fazer uma série de ações de sensibilização no Algarve, especialmente em Faro, Aljezur e Tavira.