Artista algarvia Vanessa Barragão é a nova embaixadora do Observatório Marinho do Algarve.
A artista têxtil algarvia Vanessa Barragão foi nomeada Embaixadora do Observatório Marinho do Algarve durante o primeiro Fórum Mar Portugal, em Faro, numa distinção que reconhece o seu percurso artístico e o contributo para a sensibilização ambiental e a proteção dos ecossistemas marinhos.
A distinção foi atribuída pelo Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR), através do Observatório Marinho do Algarve, estrutura dedicada à investigação científica, à conservação e à valorização dos recursos marinhos da região.
O reconhecimento destaca o trabalho consistente da artista na criação de obras inspiradas na biodiversidade oceânica e a sua capacidade de mobilizar públicos nacionais e internacionais para a importância da sustentabilidade.
A nomeação reconhece também a relevância artística de Vanessa Barragão no panorama contemporâneo e a coerência do seu posicionamento ético, alinhado com os princípios da economia circular e da regeneração ambiental.
A artista é fundadora do Studio Vanessa Barragão, com sede no Algarve. A sua obra explora a relação entre materiais, natureza e consumo, com especial foco no reaproveitamento de materiais e na valorização de técnicas artesanais tradicionais.
Inspiradas em recifes de coral, fundos marinhos e formas orgânicas, as suas criações evocam simultaneamente a beleza e a fragilidade dos oceanos, funcionando como peças artísticas e também como manifestos ambientais. O seu trabalho integra coleções privadas e projetos internacionais, sendo reconhecido pelo impacto visual e pela forte mensagem ambiental.
Nascida em 1992, em Faro, Vanessa Barragão desenvolveu desde cedo uma ligação ao artesanato têxtil, aprendendo técnicas tradicionais com as suas avós. Após concluir a formação em Design de Moda na Universidade de Lisboa, tomou consciência do impacto ambiental da indústria da moda e procurou alternativas ligadas à produção manual.
O contacto com fábricas de tapetes artesanais revelou-lhe a dimensão dos resíduos gerados pela indústria têxtil, levando-a a experimentar com desperdícios, sobretudo fibras de lã, processo que esteve na origem das instalações têxteis que hoje caracterizam o seu trabalho.
Em 2024, uma das suas obras foi escolhida como oferta oficial de Portugal à Organização das Nações Unidas (ONU), passando a integrar a coleção permanente do edifício da ONU, em Nova Iorque.
Crescida em Albufeira, onde mantém atualmente o seu atelier, a artista desenvolve uma obra profundamente influenciada pela beleza e fragilidade dos oceanos e dos ecossistemas costeiros. Através da reutilização de lãs e fibras sintéticas, transforma materiais descartados em composições têxteis que evocam paisagens subaquáticas e formas orgânicas, recorrendo a técnicas como esmirna, croché e feltragem.
As experiências pessoais influenciam fortemente o seu processo criativo. As viagens de infância ao Caribe, onde testemunhou o declínio dos recifes de coral, despertaram uma consciência ambiental que se reflete em cada obra. Para a artista, a arte é também uma ferramenta de sensibilização para os efeitos da poluição, do consumo excessivo e da necessidade de preservar tanto o planeta como as técnicas artesanais tradicionais.
Cada peça resulta de um processo artesanal marcado pelo tempo, pelo cuidado e pela experimentação. Através do seu trabalho, Vanessa Barragão procura incentivar uma reflexão sobre o impacto das escolhas quotidianas e promover práticas mais sustentáveis.

