De lá para cá, é fácil resumir: São 365 dias sem qualquer proximidade do executivo municipal pelo órgão consultivo de juventude da Câmara Municipal de Portimão. 8760 horas sem uma intenção patente da Sra. presidente da Câmara Municipal de Portimão, ou seus vereadores, para reunir ou auscultar todos os membros do CMJ. 525600 minutos em que a autarquia não conseguiu um minuto, desses todos, para pensar o quão importante seria estreitar laços, ou simplesmente conhecer (!), neste novo mandato autárquico, com novos intervenientes eleitos, a juventude portimonense e potenciar o que tem sido trilhado por centenas de jovens, juntamente das suas associações, em prol de todo o concelho.
É impressionante a demonstração, clara, de inoperância deste executivo municipal face aos assuntos de juventude. Resumiram Portimão à obrigação histórica de um «Março Jovem». Iniciativa essa que é cada vez mais apagada e sem motivos de interesse, fruto do afastamento que têm com os jovens, mas que procuram justificar com a falta de capacidade de trabalho e interesse de dezenas de associações juvenis de grande qualidade patente em 12 meses de trabalho contínuo.
Deve ser difícil, para quem trabalha um mês à volta de políticas e associações juvenis, como a Câmara Municipal de Portimão no Março «Jovem», saber qual a realidade destas associações. Nós sabemos, vivemos 12 meses de contacto directo e actividade em prol da juventude.
É triste ter terminado o ano de 2014 sem termos tido uma única sessão plenária para debater e apresentar o Plano de Actividades do CMJ. Um ano inteiro sem ter potenciado as ligações e estratégia de comunicação, ou divulgação, de iniciativas (boas!) que existem pelo concelho feitas por e para jovens portimonenses. Perdemos todos, mas principalmente perdeu Portimão.
Portimão tem dezenas de associações premiadas, vários jovens com títulos nacionais e internacionais, desde a natação ao futebol. A nível político, o líder distrital da JS e da JSD são ambos portimonenses, por exemplo. A nível cultural temos diversos jovens com obras lançadas e com sucesso nas bancas. Deduzo eu, e toda uma geração, que o desinteresse e falta de qualidade na aproximação inter-geracional não é nosso, mas dos «menos jovens» que governam os destinos da cidade e nos remetem «para o canto».
Está na altura, até porque o tal «Março Jovem» está à porta, de chamarmos à razão os responsáveis, a Câmara Municipal de Portimão e seus decisores pelas políticas de juventude na autarquia, para realizarem, também um bom conjunto de iniciativas jovens em Março mas, acima de tudo, que se vinculem às propostas políticas de juventude durante todo o ano.
O CMJ merece, os jovens portimonenses merecem muito e Portimão merece ainda mais esta aposta no presente e no futuro da terra de todos nós! Que a autarquia portimonense dê 1/100, da dedicação que nós jovens damos à cidade, e já teremos um bom «namoro» entre autarquia e juventude. Para já, não há relação… e muito menos amor.
(texto escrito sem acordo ortográfico)
*Presidente da JSD do Algarve