Os trabalhadores da Cimpor iniciaram ontem uma greve de quatro dias e, em Loulé, de acordo com o Sindicato, a produção na fábrica está parada, registando-se uma «excelente adesão».
A greve dos trabalhadores da Cimpor, que se iniciou ontem, está a registar uma «excelente adesão», tendo já levado à paragem ou perturbações na produção, disse à Lusa Fátima Messias, da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM).
Segundo a dirigente sindical, a paralisação contou «com uma excelente adesão, desde logo de manhã, a partir das 08h00».
Fátima Messias disse que a produção na fábrica de Alhandra parou e está também parada na unidade de Loulé, indicando que na Maia há perturbações no carregamento e na fábrica de Souselas «contou-se com maior adesão» a partir do turno das 16h00.
No caso da Ciarga, uma sociedade mais pequena que pertence ao grupo, a paragem atinge os 100 por cento, assegurou.
Ainda que não consiga calcular uma percentagem de adesão à greve, Fátima Messias disse que «quando se consegue parar os fornos e as saídas de cimento, além dos laboratórios, do sector administrativo, do aprovisionamento e das oficinas, que também estão a aderir, isso é a marca de greves com muita adesão».
A paralisação começou às 06h00 de ontem, terça-feira, dia 16 de abril, e termina às 06h00 da próxima sexta-feira, dia 19.
Os trabalhadores reclamam aumentos salariais de oito por cento em 2024, num mínimo de 200 euros; um período normal de trabalho de 37 horas semanais a partir de 1 de janeiro de 2025; o pagamento de anuidades; a retribuição do trabalho por turnos; feriados no regime de laboração contínua e o pagamento do 15.º mês.
Entre as reivindicações estão ainda apoio escolar a filhos dos trabalhadores, transportes e abonos para deslocações; o alargamento da progressão de carreira de diversas categorias profissionais; a criação de uma nova categoria profissional de Oficial de Conservação Elétrica e Eletrónica e melhorias no serviço de prevenção.
Neste momento, ainda não houve contactos entre os trabalhadores e a empresa, disse a dirigente da Feviccom.
«A decisão dos trabalhadores é não baixar os braços porque já percebemos que a atual administração da Cimpor quer retirar-nos os nossos direitos e estamos disponíveis para continuar a luta de todas as formas que forem necessárias a todo o momento, para não deixar que isso aconteça», disse a sindicalista.
A Lusa contactou a Cimpor, que foi adquirida recentemente pela Taiwan Cement Corporation (TCC), e encontra-se à espera de resposta.
Fotografia: Cimpor.