Maria do Rosário Martins Pedro nasceu em Silves, há 38 anos. Licenciou-se pelo Instituto Superior de Design (IADE), vive em Lagoa e é docente em Olhão. Considera-se pintora, embora use pasta de papel sobre a tela para criar relevos, como se fosse escultura, e só depois utilize os pincéis para lhe dar tonalidades e realçar luzes e sombras. Acima de tudo, Rosário gosta de explorar, experimentando também a fotografia e, mais recentemente, a cerâmica. Essa necessidade de descoberta constante levou-a ao reiki, a frequentar um curso de formação profissional em desenvolvimento transpessoal – consciência e espiritualidade, à aprendizagem dos arcanos maiores e menores do tarot, ao ioga e até à formação em astrologia.
barlavento – De que forma é que essa busca pessoal influencia o seu trabalho artístico?
Rosário Pedro – De modo nenhum. A minha arte tem a ver simplesmente com o meu estado de espírito. Quando o emocional está mais instável, uso cores mais escuras. Essa busca pessoal não me afeta emocionalmente. É apenas curiosidade e fonte de conhecimento. O descobrir o porquê das coisas, como funcionam? Acredito que existe uma lei, mas ainda não percebi como funciona.
Como e quando se iniciou na pintura?
Em 2004, quando estive a dar aulas na Madeira. Uma colega, reputada artista plástica, viu trabalhos meus e incentivou-me, dizendo que tinha jeito. E nunca mais parei.
A Rosário é, portanto, autodidata?
Comecei como tal. Contudo, ao longo dos anos, frequentei várias formações na área do ensino que me são úteis na pintura. E tive aulas de pintura a óleo com a professora Edna Lima.
Pode definir o seu estilo?
Como lhe disse anteriormente, ando em descoberta permanente. O meu trabalho já passou pelo figurativo, com animais e árvores; passou ao simbólico, com espirais, movimento, ondas e círculos; estou a entrar no feminino, que acho muito bonito. Adoro descobrir a mulher e a fusão de formas que nos apresenta. A minha técnica encontra-se em permanente construção, mudança e evolução.
Quais os seus tons preferidos?
Cores terra, como o vermelho, castanho, laranja, amarelo, verde.
São cores quentes, onde prenominam os vermelhos. Amor ou raiva?
Explosão. Raiva, de vez em quando, e saem os vermelhos. Quando estou mais calma, surgem os verdes. Finalmente, estou a entrar nos azuis, cores mais frias e mais calmas.
Consegue-se viver da pintura?
Dificilmente. Para mim, é um hobby.
Fuga ao stress da profissão?
Sim e também a exploração do meu lado criativo. Porque criar uma coleção para exposição também é um stress.
Pinta focada em exposições?
Nem sempre. Quando tenho algo agendado, sim. E aí, entra o stress.
Tem uma exposição na Biblioteca Municipal de Loulé, até 13 de Dezembro. Projetos futuros?
Não está nada definido em concreto, mas há hipóteses para explorar outras zonas do país, mais para norte, onde a arte é olhada com outros olhos do que acontece no Algarve.
Já fez várias exposições na Madeira. Os madeirenses compram?
Sim. Gostam, apreciam e compram.
Palmarés de mostras e exposições
• Exposição individual de pintura a acrílico, Homenagem a Sophia de Mello Breyner – Biblioteca Municipal de Loulé – 2015
• Exposição individual de pintura a acrílico, «Germinação» – Ó-Chá-Lá Casa de Chá, Monchique – janeiro, 2015
• Pequena mostra de trabalhos, no Espaço d’Arte – Centro Comercial Aqua, Portimão – agosto, 2014
• Pequena mostra de trabalhos, no foyer, na «Noite de Ópera» – Auditório Municipal de Lagoa – julho, 2014
• Exposição individual de pintura a acrílico, «Transições» – Casa Manuel Teixeira Gomes, Portimão – março, 2014
• Exposição coletiva de pintura a acrílico, «Os Elementos» – Centro de Ciência Viva do Porto Moniz, Madeira – 2013
• Exposição individual de pintura a acrílico, «Magia aos Pedaços» – Biblioteca Municipal de Silves, Algarve – 2013
• Exposição individual de pintura a acrílico, «Vasos» – Quinta da Palmeira, Lido, Madeira – 2008
• Exposição individual de pintura a acrílico, «Fragmentos de Paraíso» – Centro de Ciência Viva do Porto Moniz, Madeira – 2007
• Exposição coletiva de pintura do Concurso Criarte – Aeroporto Funchal, Madeira – 2007
• Exposição individual de pintura a acrílico, «Relevos» – Café Chocolarte, Funchal, Madeira – 2006