A dor pode ser definida como uma experiência sensorial universal e emocionalmente desagradável. É sensorial porque podemos precisá-la e caracterizá-la, e emocional devido à sua natureza penalizante e angustiante. Pode ser esporádica, ou pode permanecer durante bastante tempo, levando-nos a falar em dor crónica ou persistente, quando se prolonga por mais de três meses. A dor neuropática é uma condição que se estima afetar 6,9 por cento da população mundial e que pode ser definida como a dor diretamente provocada por uma lesão ou uma doença que afeta o sistema somatosensorial. Pode afetar qualquer parte do corpo, uma vez que cada um dos 240 ramos cutâneos dos nervos periféricos é composto por milhares de fibras, distribuídos por todo o corpo. Ou seja, após um trauma ou uma doença alguns «fios sensitivos» são afetados, desencadeando dor associada a diversas sensações específicas como choque elétrico, formigueiros ou queimadura, podendo ainda haver irradiação para outras partes do corpo.
A dor neuropática gera grande sofrimento aos pacientes, fazendo-os sentir muitas vezes incompreendidos, pois muitos dos exames de diagnóstico podem ser inconclusivos. Estas pessoas vivem assim com uma dor invisível, um sofrimento latente que nem sempre é evidente perante os olhares dos familiares e amigos, situação que os leva ao isolamento e à diminuição da qualidade de vida. Importa referir que a dor neuropática pode persistir mesmo após as causas estarem resolvidas, sendo que as mais frequentes são: inflamatórias; lesões pós-traumáticas; lesões pós-cirúrgicas; infeções virais (o caso da Zona, também conhecida por herpes zóster); polineuropatias diabéticas ou metabólicas, e, por fim, traumatismos medulares. A reeducação sensitiva da dor é um método que avalia e trata a dor neuropática. É um método de renome mundial criado por Claude Spicher da Universidade de Friburgo-Suíça.
É aplicado por terapeutas especializados, denominados reeducadores sensitivos da dor certificados, oriundos de 28 nações, ligados por um fórum de formação permanente, o que lhes permite uma constante ajuda perante dificuldades encontradas em algum paciente. Em Portugal, existe apenas uma destas profissionais especializadas, no Hospital Particular do Algarve, o que o torna pioneiro neste tipo de abordagem. Ao entrar no programa de reeducação sensitiva da dor, o paciente é avaliado através de meios e testes de grande rigor científico, após os quais nos podemos deparar com uma hipoestesia, ou seja uma diminuição da sensibilidade, ou uma alodinia; uma dor desagradável ao toque, em situações que não o deveria ser, provocada por isso por estímulos inofensivos, tais como o ato de vestir e despir, o banho ou uma simples brisa.
Em função do resultado, é estabelecido um programa de tratamento que tem duas fases: os exercícios realizados diariamente em casa, sem os quais não é possível o sucesso do programa e, semanalmente uma sessão com o terapeuta, onde este reavalia e reajusta o tratamento.
Com este programa pretende-se reverter os mecanismos da dor neuropática, tratando as alterações da sensibilidade cutânea e as suas complicações dolorosas, no maior órgão do corpo humano: a pele. Diminuir o sofrimento provocado pela dor e melhorar a qualidade de vida são os grandes objetivos da reeducação sensitiva da dor. Mais informações estão disponíveis no sítio oficial desta rede internacional (http://www.neuropain.ch/) e também em http://www.grupohpa.com/pt/servicos/terapia-da-mao
Espaço Saúde do Hospital Particular do Algarve