Governo antecipa crescimento superior a 6% nas receitas do turismo em Portugal em 2026, com aposta em valor, novos mercados, voos e redução da sazonalidade.
Portugal fechou 2025 com mais de 29 mil milhões de euros em receitas turísticas e 82 milhões de dormidas, resultados que consolidam um novo máximo histórico para o sector.
Em declarações aos jornalistas no final da reunião do Conselho Estratégico para a Promoção Turística, hoje em Faro, a primeira a ter lugar no Algarve, Pedro Machado disse que a prioridade para o novo ano passa por «crescer em valor». O secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços defende que o país deve continuar a posicionar-se para captar turistas «com maior poder aquisitivo», para que «a receita cresça a um ritmo superior ao da procura».
Para 2026, o Governo aponta para um crescimento entre 2,5% e 3,5% nas dormidas e um aumento superior a 6% nas receitas, estimando que o novo ano possa repetir um desempenho global semelhante ao registado em 2025.
Pedro Machado lembrou ainda que Portugal passou de 27 mil milhões de euros em receitas em 2024 para mais de 29 mil milhões em 2025, enquanto as dormidas cresceram de 80 para mais de 82 milhões.
A ambição passa por manter o crescimento da procura e consolidar um modelo mais sustentável do ponto de vista económico. «Mais turistas, mas com maior capacidade de gerar valor», resumiu.
Regiões crescem entre 4% e dois dígitos
Em relação ao Algarve, o governante classificou os resultados regionais de 2025 como «francamente positivos», sublinhando que todas as regiões do país apresentaram crescimento, entre 4% e valores acima dos dois dígitos, o que, disse, «confirma a consistência da estratégia nacional de promoção turística».
A região algarvia foi apontada como um dos exemplos mais relevantes, sobretudo na redução da sazonalidade. «O Algarve apresenta um score fantástico na diminuição de um dos problemas estruturais do turismo nacional», afirmou, acrescentando que esse percurso «pode servir de modelo a ser transposto para outras regiões do país, em particular no alargamento da procura ao longo do ano».
A diversificação de mercados foi outro dos eixos destacados pelo secretário de Estado. «Temos ambição em mercados novos, como o México, a Argentina e a Austrália», referiu, associando essa aposta ao reforço da conectividade aérea do país.
Pedro Machado apontou o início das operações da Delta Airlines para Portugal, o reforço do Porto como novo hub da TAP, novas rotas no Algarve, Açores e Madeira, o crescimento do mercado da Coreia do Sul e a retoma dos voos para Tel Aviv como sinais de consolidação da estratégia externa.
O governante sublinhou ainda a importância das novas rotas aéreas já asseguradas e em preparação para 2026, no Porto, em Lisboa e no Algarve, bem como nos Açores e na Madeira, considerando que a entrada de novas companhias e a expansão de ligações «reforçam a capacidade de crescimento do turismo nacional».
O secretário de Estado enquadrou a captação de grandes eventos internacionais como uma missão de escala nacional, partilhada por várias regiões, destacando o Algarve como um dos exemplos mais visíveis. Nesse contexto, apontou a Fórmula 1 como um ativo estratégico, com «impacto na notoriedade internacional do destino» e na capacidade de atrair procura fora da época alta.
Portugal «seguro» num contexto geopolítico incerto
Questionado pelos jornalistas sobre o cenário de instabilidade e imprevisibilidade internacional, Pedro Machado reconheceu que o contexto geopolítico constitui um fator de risco para o turismo, mas reforçou a reputação de Portugal no plano da segurança. «A segurança é um fator-chave em qualquer atividade económica e nesta em particular», afirmou, lembrando que Portugal é «o sexto país mais seguro no ranking internacional».
Segundo o governante, esse posicionamento permite captar procura adicional, sobretudo de mercados que conhecem menos bem a Europa. «O facto de Portugal estar nesta latitude tem permitido aumentar, até de mercados que conhecem menos bem a Europa, quer o asiático quer o mercado americano», afirmou.
A cooperação internacional e a troca de informação assumem, disse, um papel central. «A informação, a troca de informação e a cooperação permitem-nos salvaguardar e controlar melhor aquilo que hoje são riscos associados à mobilidade de pessoas».
Algarve com taxa de sazonalidade mais baixa da década
Também à margem da reunião, André Gomes, que preside a Região de Turismo do Algarve (RTA) e a Agência de Promoção Turística do Algarve (ATA), valorizou a importância simbólica e prática do encontro.
«É a primeira vez na história que o Algarve recebe uma reunião deste Conselho Estratégico», escolha que, disse, representa um reconhecimento do peso da região na atividade turística nacional.
O responsável pelo turismo algarvio indicou que 2025 deverá fechar com mais um ano de crescimento, apesar de ainda faltarem os dados finais de dezembro. Até novembro, a região registava um aumento médio de cerca de 2% em hóspedes e entre 0,5% e 1% em dormidas, com um crescimento em valor «acima dos 6%», próximo dos 7%, refletido no ADR e no RevPAR.
«O Algarve também teve a capacidade de valorizar e diversificar a sua oferta», afirmou.
Tal como Pedro Machado, André Gomes destacou a evolução da procura fora da época alta como um dos indicadores mais relevantes para a economia regional. «Vemos crescimentos muito superiores fora da época alta, entre janeiro e abril e entre outubro e dezembro, do que aqueles que se verificam durante a época alta», apontou.
Contas feitas, o Algarve passou de 43% em 2014 para 38% em 2024, com a meta de atingir 37% em 2028, em linha com o plano estratégico nacional.
«Isso demonstra que o Algarve é de facto um destino para todo o ano», referiu.
Desafio da distribuição territorial
Para 2026, André Gomes não avançou metas fechadas para as dormidas, mas reiterou a aposta num crescimento «sustentado e sustentável».
«Em 2024 tivemos mais de 21 milhões de dormidas no Algarve e 70% concentraram-se em apenas três concelhos», lembrou, acrescentando que «este é, claramente, um dos grandes desafios que temos nos próximos anos, que é distribuir mais a nossa atividade turística ao longo de todo o território».
O Conselho Estratégico para a Promoção Turística integra representantes do Turismo de Portugal, dos Governos Regionais da Madeira e dos Açores, da Confederação do Turismo de Portugal, das Entidades Regionais de Turismo e das Agências Regionais de Promoção Turística.
