Sistema de reembolso de garrafas e latas (SDR) arranca em Portugal com depósito de 10 cêntimos e a Quercus defende inclusão do vidro no modelo
A associação ambientalista Quercus saúda hoje a entrada em funcionamento do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), prevista para quinta-feira, dia 10 de abril.
Em comunicado, a Quercus deixou alertas e sugestões e considerou que a entrada em funcionamento do SDR «peca por tardia».
A associação afirmou ainda esperar que este sistema seja «o empurrão definitivo» para ajudar o país a cumprir as metas nacionais de reciclagem de embalagens.
Na sexta-feira, arranca em todo o país o SDR, que abrange cerca de 2,1 mil milhões de embalagens de bebidas de uso único consumidas em Portugal, incluindo garrafas de plástico e latas de metal até três litros, com um depósito reembolsável de 10 cêntimos, em forma de «voucher» nas máquinas instaladas.
No documento, a Quercus lamentou que não tenha sido ponderado o regresso da retoma de garrafas de vidro com tara recuperável, já existente em Portugal, e referiu que países como Alemanha, Dinamarca, Finlândia ou Croácia incluem o vidro em sistemas semelhantes, designados em Portugal por «Volta».
A associação alertou ainda para a necessidade de esclarecer que o SDR é complementar aos sistemas de recolha seletiva existentes, como ecopontos e recolha porta-a-porta, que «continuam a desempenhar um papel fundamental».
A Quercus considerou positivo o envolvimento do pequeno comércio e do canal Horeca (Hotelaria, Restauração e Cafetaria), mas questionou a capacidade de resposta do sistema e defendeu a adaptação a contextos de grande consumo, como festivais ou eventos desportivos.
Sobre o reembolso do depósito através de «vouchers» impressos, a associação considerou que o modelo em papel deve ser complementado com soluções digitais, nomeadamente através de acumulação de saldo em aplicação móvel.
No comunicado, os ambientalistas sublinharam ainda que a implementação do SDR «não deve fazer esmorecer o incentivo ao uso de soluções mais sustentáveis a montante», como recipientes reutilizáveis para bebidas ou o consumo de água da torneira.
«A prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz na redução de resíduos», salientou a Quercus.