No final do corrente ano fiscal, PVC Tech, empresa inovadora de caixilharia, sediada em Lagoa, deverá faturar cerca de 5 milhões de euros.
A cada 20 minutos, a empresa é capaz de produzir uma janela tradicional completa, feita à medida específica da encomenda. Dito desta forma, parece tarefa simples, mas é o culminar de um investimento em tecnologias de produção de ponta, segundo explica Roberto Marcos, 55 anos, CEO da PVC Tech.
«É quase uma nova revolução industrial. Hoje ouvimos muito falar de Inteligência Artificial, mas há cerca de 15 anos começámos a investir num parque de máquinas CNC (Computer Numerical Control), em que a necessidade de funcionários é menor e a quantidade de trabalho produzido é maior», explica.
Nessa altura, «um dos nossos funcionários mais experientes e antigos perguntou», aquando da chegada da primeira máquina, se o objetivo «era mandar pessoal embora. Respondi exatamente o contrário, porque a nova tecnologia aumentava a capacidade de fazer os serviços e com isso, garantia, acima de tudo, os postos de trabalho» existentes.
«Deixamos de andar com fitas métricas, como era normal na altura, a medir para cortar. Hoje temos pessoas ao computador, recebem a folha de obra e enviam a informação diretamente para as máquinas que devoram cerca de 90 por cento do trabalho, de forma autónoma», explica.

A empresa trabalha sobretudo no Algarve, em toda a costa alentejana, em Lisboa, nas regiões autónomas dos Açores e Madeira, e ainda exporta para França e mais recentemente, para os Estados Unidos da América, mercados que estão ambos a crescer.
E como é que uma PME algarvia consegue ser competitiva no estrangeiro? «Precisamente devido aos grandes investimentos em equipamentos que permitem ter um produto de grande qualidade a baixo custo produtivo», volta a sublinhar.
Em breve, «vamos começar a fornecer a construção de um hotel novo na ilha de Porto Santo. O material sai daqui em contentores marítimos», rumo aos Portos de Sines e Lisboa.
Exportar para vencer
A atividade da PVC Tech concentra-se sobretudo no mercado das renovações de habitações e em grandes obras que «permitem-nos ter uma alavancagem maior em termos de exportação, que é uma das soluções que o nosso país tem para poder faturar mais», embora neste caso, tudo tenha começado de uma forma natural e espontânea.
«Podemos analisar isso de várias formas. Uma das quais tem a ver como promovemos a empresa e os negócios. Hoje as tecnologias e as redes sociais facilitam muito essa tarefa, mas no nosso caso, foi um pouco ao contrário». E explica: «costumo dizer o nosso principal maior investimento é trabalho que realizamos, pois temos a garantia que o nosso cliente vai ficar sempre muito satisfeito. Esse cliente será o nosso melhor vendedor. Sobretudo aqui no Algarve, onde lidamos com pessoas de todos os países do mundo», acrescenta.
Ou seja, as oportunidades de negócio nos mercados externos têm chegado por essa via. «Tem sido sempre assim. Somos recomendados lá fora. Por exemplo, fornecemos um empreendimento em Vilamoura. O proprietário de um dos apartamentos gostou do nosso trabalho e veio visitar-nos. Acontece que essa pessoa tem uma grande empresa em França e começámos a trabalhar em parceria. Agora fazemos trabalhos em Paris, Lyon, Chambéry e o mercado vai crescendo».
Em 2012, em plena crise, uma empresa parceira da PCV Tech «ficou em grandes dificuldades. Foi para o mercado francês tentar salvar-se. Conseguiu e continuou a trabalhar conosco», recorda.
Já a aventura transatlântica tem outros contornos. «Nos EUA estamos presentes há sensivelmente quatro anos. Trabalhamos em Nova Iorque e no estado de Nova Jersey. É um trabalho diferente. Obriga a alguma adaptação da nossa parte porque é ainda mais personalizado. Mas é aliciante e um desafio. Ao contrário do que se possa pensar, os americanos querem sempre o mais barato. A oferta e o mercado deles, de facto, não está para coisas muito boas. E não estão habituados a isso, ao contrário de nós, pois hoje as casas novas têm de ser certificadas em termos da eficiência e consumo energético».
No entanto, «estão disponíveis e querem ouvir a nossa explicação. Recentemente, perguntei a um dono de obra se já tinha reparado nas janelas. Respondeu que estava tudo normal. Abri-a e perguntei se ouvia o barulho dos carros no exterior e em seguida fechei-a. Fico admirado com a insonorização. Expliquei que o que está em causa é a qualidade da saúde, porque ninguém consegue ter um sono tranquilo sem janelas que isolam o barulho. Ou seja, estamos a educar o mercado».

O gestor reforça, de novo, a filosofia da casa. «É este tipo de desafios que gosto. Fazer com que o cliente goste da nossa prestação de serviços e nos olhe de uma forma diferente. Não apenas como uma empresa que faz simplesmente janelas, mas que os ajuda a resolver problemas técnicos». Até porque «nada é estandardizado. Fabricamos tudo adaptado às condições e às necessidades que nos são pedidas. Fazemos um trabalho muito personalizado».
Alumínio ou PVC?
Tudo começou há cerca de 70 anos, «com a oficina de carpintaria do meu pai. Ao longo dos anos, fomos diversificando para outras atividades. Depois, deu-se a entrada da nova geração, comigo e com o meu irmão, que impulsionou outros negócios. Hoje, temos uma grande experiência acumulada».
Questionado sobre qual o material mais vendido, Roberto Marcos, distribui em cerca de 50 por cento, quer para o alumínio, quer para o PVC.
«Diria que ao final do ano, será mais ou menos metade por metade. Quando as pessoas remodelam as casas e querem melhorar o conforto térmico, o PVC é mais procurado», diz.
A empresa começou a trabalhar o PVC em 2006. «Nessa altura, tinha uma quota de mercado de 6 por cento. Não era uma coisa muito bem vista».
O gestor aponta que «utilizar janelas do alumínio é uma tendência que se instalou no nosso país. Quando o meu pai começou a atividade, faziam-se janelas em madeira e em ferro, tudo sem isolamento. Depois começaram a aparecer os primeiros sistemas alumínio, há 50 anos. Desde então, evoluíram muito, mas nunca conseguiram ter a capacidade de isolamento que as janelas de PVC têm hoje, porque a própria matéria-prima assim o faz».
Mas, comparativamente, «o alumínio foi desenvolvido e passou a ter um sistema de corte térmico, no fundo, a separação entre o lado interior e o lado exterior (poliamidas). Evoluíram para prestações muito boas, semelhantes às janelas de PVC, mas com um valor acrescido em termos de custo. O PCV sai mais barato».
Não admira por isso que «o mercado da renovação está muito mais receptivo às janelas de PVC, que conseguem ser mais competitivas em termos de valor e com prestações de isolamento melhores que as de alumínio», compara.
Já no que toca às grandes obras, «cada vez mais, e bem, temos projetos modernos desenvolvidos por arquitetos. Por norma, procuram colocar janelas com menos espessura, isto é, mais minimalistas, algo que o PVC não consegue ser. O alumínio, embora mais caro, enquadra-se melhor nesta nova arquitetura, que tem, digamos, dimensões maiores».
«É preciso olharmos estas questões de forma séria. Sendo Portugal um dos países com o clima mais temperado da Europa, é também onde as pessoas sofrem mais doenças reumáticas», por falta de conforto térmico e isolamento apropriado.
Questionado sobre o processo de fabrico usando ambos os materiais, Roberto Marcos separa as águas. «Temos duas zonas de trabalho distintas. As pessoas que trabalham o alumínio não são as mesmas que trabalham o PVC. O equipamento usado também difere».
Importância do CRESC Algarve 2020
A candidatura ao CRESC Algarve 2020, segundo o empresário, foi fundamental para a aquisição de novos equipamentos, «e concretamente para podermos continuar a mitigar o problema da falta de mão de obra».
Os objetivos específicos da operação são claros e ambiciosos. A empresa pretende continuar a aumentar o volume de negócios e o Valor Acrescentado Bruto (VAB), de forma a reforçar a solidez financeira.
Além disso, no âmbito da candidatura aos fundos europeus, foram criados mais postos de trabalho qualificados. Por fim, a empresa espera recuperar o investimento inicial num prazo de dois anos, atingindo assim o payback de forma célere e eficaz.
Foram adquiridos novos equipamentos numa perspectiva de diversificação. As novas máquinas adquiridas permitem o fabrico de novos produtos na área da caixilharia, com a entrada ao serviço de um centro de soldadura e limpeza de PVC e uma soldadura de duas cabeças.
Ao nível informático, a empresa apostou num upgrade de computadores e tablets e num software específico de interligação entre os sectores produtivo, logístico e comercial, assim como um plano de marketing. Prevê-se ainda a instalação de um parque de painéis fotovoltaicos para produção de energia, de forma a melhorar o desempenho energético da indústria.
A candidatura da PVC Tech, teve um investimento elegível de 204.827,40 euros sendo o apoio de 81.930,96 euros do CRESC Algarve 2020 através do FEDER.
Dificuldades operacionais
No futuro próximo, o empresário tem intenções de aumentar as instalações em mais 5000 metros quadrados (m2), num terreno adjacente à atual unidade fabril, em Lagoa, num investimento de cerca de 4 milhões de euros. Pretende também contratar mais 30 pessoas.
«As nossas instalações já não conseguem comportar toda a capacidade de resposta que a empresa precisa. Neste momento, poderíamos faturar o dobro para os EUA». Caso o plano de expansão não possa avançar por questões burocráticas, um opção em cima da mesa poderá ser a transferência da empresa para o concelho de Silves.
«A armazenagem de matéria-prima é um puzzle logístico muito grande. Temos metade do pessoal que precisamos. O objetivo é empregar 50 pessoas. E apesar de termos dificuldades no recrutamento, penso que se tivermos melhores condições, isso será um bom fator de atratividade. Em termos de empresas congéneres, estamos muito mais à frente em termos tecnológicos e isso é muito apelativo no mercado de trabalho».











