A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) avisou hoje a população para o agravamento das condições meteorológicas nos próximos dias no continente, com chuva, vento e agitação marítima.
Este aviso da Proteção Civil surge na sequência das previsões meteorológicas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), devido aos efeitos da depressão EOWYN, que afetará o continente nos próximos dias, sobretudo com períodos de chuva, por vezes forte, em especial nas regiões Norte e Centro, podendo ser acompanhados de trovoada, associado a vento forte com rajadas até 90 km/h no litoral e nas terras altas.
A Autoridade Marítima Nacional (AMN) alertou hoje para um «agravamento considerável» da agitação marítima na costa ocidental do continente, com ondas que podem atingir os oito metros, entre as 00h00 de sábado e as 18h00 de terça-feira.
A tempestade Eowyn, que hoje chegou à Irlanda, vai também afetar Portugal continental a partir de hoje e até sábado, prevendo-se chuva, vento e agitação marítima forte, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Numa nota, a AMN recomendou medidas de precaução, principalmente à comunidade piscatória e da náutica de recreio, e desaconselhou à população em geral atividades na orla marinha ou atividades junto à costa.
Segundo a AMN, a agitação marítima será caracterizada por uma ondulação do quadrante noroeste, «com uma altura significativa que poderá atingir os oito metros e uma altura máxima de 14 metros, com um período médio a variar entre os 13 e os 16 segundos».
O vento soprará do quadrante noroeste, com uma intensidade média de 65 quilómetros por hora (km/h) e com rajadas até 117 km/h.
À comunidade piscatória e da náutica de recreio que se encontre no mar, a AMN sugeriu o regresso ao porto de abrigo mais próximo e a adoção de medidas de precaução, evitando sair para o mar até que as condições melhorem, e recomendou o reforço da amarração e da vigilância das embarcações atracadas e fundeadas.
Aconselhou ainda que mantenham «um estado de vigilância permanente e acompanhem a evolução da situação meteorológica», através dos avisos à navegação e da previsão meteorológica do IPMA e outras informações disponibilizadas pelas Capitanias dos Portos.
À população em geral são desaconselhados passeios junto à orla costeira e nas praias e a prática de atividades em zonas expostas à agitação marítima ou atingidas pela rebentação, em especial o acesso e permanência junto às falésias e zonas de arriba.
«Caso exista absoluta necessidade de se deslocar até à orla costeira, deverá manter uma atitude vigilante, tendo sempre presente que nestas condições o mar pode facilmente alcançar zonas aparentemente seguras», acrescentou.
Segundo o IPMA, um sistema frontal associado à depressão Eowyn, que está a afetar o Reino Unido, está hoje a causar precipitação em Portugal, que começará no Norte do continente, estendendo-se «gradualmente às restantes regiões do país ao longo de sexta-feira e sábado».
O IPMA colocou sob aviso amarelo os distritos do Porto, Viana do Castelo, Braga, Aveiro, Coimbra, Leiria e Lisboa, entre as 18h00 de hoje e as 18h00 de sábado, devido a marítima com ondas de noroeste de quatro a cinco metros.
Também sob aviso amarelo devido a agitação marítima estão os distritos de Faro, Beja e Setúbal, entre as 03h00 e as 18h00 de sábado, com ondas de noroeste com entre os quatro e os quatro metros e meio.
A tempestade Eowyn começou hoje a atingir a Irlanda com ventos recorde, com rajadas de 183 km/h, causando perturbações em vários aeroportos, incluindo em voos com destino a Lisboa, levando as autoridades a pedirem às pessoas para ficarem em casa.
A depressão EOWYN surge cerca de uma semana depois de a depressão GAROE ter afetado os arquipélagos da Madeira e dos Açores, dirigindo-se depois para o continente, tendo sido registadas pela Proteção Civil mais de 700 ocorrências.
A ANEPC alerta para a eventual ocorrência de inundações em zonas urbanas, causadas por acumulação de águas pluviais, por obstrução dos sistemas de escoamento ou por galgamento costeiro, assim como de cheias, potenciadas pelo transbordo do leito de alguns cursos de água, rios e ribeiras.
Alerta igualmente para a instabilidade de vertentes, conduzindo a movimentos de massa (deslizamentos, derrocadas e outros) motivados pela infiltração da água, fenómeno que pode ser potenciado pela remoção do coberto vegetal na sequência de incêndios rurais ou por artificialização do solo.
A ANEPC recomenda também cautela com o piso rodoviário escorregadio devido à possível formação de lençóis de água e com possíveis acidentes na orla costeira, devido à forte agitação marítima.
Como medidas preventivas, a Proteção Civil recomenda a adoção de «comportamentos adequados, em particular nas zonas historicamente mais vulneráveis», como garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e retirada de inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre escoamento das águas.
A ANEPC recomenda também uma adequada fixação de estruturas soltas, nomeadamente, andaimes, placards e outras estruturas suspensas, um especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas, estando atento para a possibilidade de queda de ramos e árvores, em virtude de vento mais forte, bem como junto da orla costeira e zonas ribeirinhas, evitando a circulação e permanência nestes locais.
Não praticar atividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar, evitando ainda o estacionamento de veículos muito próximos da orla marítima e a adoção de uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tomando especial atenção à eventual formação de lençóis de água nas vias rodoviárias, são outras das recomendações.
A ANRPC pede ainda à população para não atravessar zonas inundadas, de modo a precaver o arrastamento de pessoas ou viaturas para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas e para estar atenta às informações da meteorologia e às indicações da Proteção Civil e das Forças de Segurança.