O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, defendeu, em Odemira, a criação de uma «rede nacional da água», para «aumentar a produção agrícola e florestal no país».
«A CAP continuará a bater-se até ver realizada uma rede nacional da água», com o objetivo «de conseguirmos aumentar a produção agrícola e florestal no país», afirmou Álvaro Mendonça e Moura, no encontro «Água ao Serviço do Futuro», que decorreu ontem naquele concelho do distrito de Beja.
Durante a iniciativa, realizada numa unidade hoteleira junto à Barragem de Santa Clara, 34 entidades públicas e privadas subscreveram um manifesto no qual é pedido o reforço da disponibilidade de água no Sudoeste Alentejano e no Algarve.
O manifesto «Água ao Serviço do Futuro» vai ser entregue ao Governo, no âmbito da estratégia «Água que Une», iniciativa interministerial cuja apresentação está prevista pelo executivo para o final deste ano.
Os municípios alentejanos de Odemira e de Ourique e os algarvios de Aljezur, Lagoa, Lagos, Monchique e Vila do Bispo são alguns dos subscritores do documento, tal como a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL).
O manifesto tem também como signatários a Lusomorango, que é uma organização de produtores do setor das frutas e legumes, a Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur (AHSA), a Federação Nacional de Regantes, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal e empresas agrícolas.
Outros subscritores são as entidades regionais de turismo do Alentejo e Ribatejo e do Algarve ou a empresa mineira Somincor, concessionária da mina de Neves-Corvo, no concelho de Castro Verde.
No documento, entre outras ações, os signatários defendem o reforço do Alqueva «como grande reservatório para a regularização hídrica do sul do país» e da Barragem de Santa Clara «como hub para a distribuição de água ao Sudoeste Alentejano e ao Barlavento Algarvio».
Para tal, é pedida a interligação Alqueva-Santa Clara-Odelouca, que «já se encontra ligada por túnel ao sistema Funcho-Arade, faltando a interligação à [Barragem da] Bravura», no Algarve.
Esta proposta é apoiada pelo presidente da CAP, para quem Portugal tem água, «mas mal distribuída», associada a «uma grande irregularidade de precipitações e assimetrias muitos pronunciadas».
«O problema não é de falta de água, é de falta de água em certos locais e nós temos é que conseguir disponibilizar a água que temos», disse.
O dirigente agrícola considerou ser tempo de «passar à ação» e avançar com a criação de uma «rede nacional da água» e com projetos como o da interligação Alqueva-Santa Clara-Odelouca.
«Há água mais do que suficiente para abastecer o Alqueva, de forma a que o Alqueva possa abastecer o resto do Alentejo e do Algarve», continuou Álvaro Mendonça e Moura.
O presidente da CAP disse ainda que a confederação irá fazer «toda a pressão sobre este Governo para que rapidamente diga o que vai fazer e como [isso] está calendarizado».
«Claro que sabemos que não é possível fazer todas estas ligações de um ano para o outro, mas é possível fazê-las a 10 anos», concluiu.
Ontem, no âmbito desde evento, os presidentes das câmaras de Odemira e de Aljezur, defenderam a interligação do Alqueva às barragens de Santa Clara e de Odelouca «é essencial» para o futuro do Sudoeste Alentejano e do Algarve, tal como o barlavento noticiou.