Praia do Carvoeiro tem máquinas a realizar trabalhos de limpeza para retirar limos que estão no areal há mais de uma semana.
A Câmara Municipal de Lagoa voltou a realizar trabalhos de limpeza, na manhã desta quarta-feira, para remover a enorme quantidade de algas (Rugulopteryx okamurae) que se encontram no areal da Praia do Carvoeiro.
Os limos chegaram no fim de semana de 10 e 11 de junho, precisamente uma semana antes da festa Carvoeiro Black & White que atrai milhares de visitantes, não só de todo o país como além-fronteiras.
Para dar uma resposta rápida e conseguir realizar o evento, a autarquia optou por colocar uma máquina retroescavadora na praia na passada quarta-feira, dia 14 de junho, que trabalhou desde as 8h30 da manhã até por volta das 19h30.
Ainda que a Câmara de Lagoa tenha feito um esforço para deixar a praia com melhores condições, o areal continuou coberto de algas, contudo, a festa Carvoeiro Black & White decorreu sem problemas, no sábado, dia 17.
A solução da autarquia foi tentar «devolver as algas ao mar» e, as que não conseguiu, foram colocadas o mais perto possível da água, com baias a impedir a passagem de quem assistiu aos espetáculos musicais no areal.
Apesar de a 8.ª edição do Carvoeiro Black & White ter sido declarada pela autarquia como a «melhor de sempre», tanto porque superou as 35 mil pessoas como pelo facto de ter sido a que registou o menor número de incidentes, este problema ambiental ficou por resolver.
Assim sendo, a Câmara Municipal de Lagoa está novamente a realizar trabalhos de limpeza, mas desta vez com recurso ao procedimento já adotado em setembro de 2022, com recurso a contratação pública, tal como explicou o presidente da autarquia, Luís Encarnação, ao barlavento.
De momento, estão duas máquinas no areal e chegarão mais viaturas, segundo o autarca. Os limos serão recolhidos e transportados para um recinto perto da Feira de Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio e Indústria de Lagoa (FATACIL), no mesmo local escolhido o ano passado, onde ficarão temporariamente não tendo ainda sido decido se serão entregues à Algar, onde é feita a valorização e tratamento de resíduos sólidos, ou será encontrada outra hipótese para o seu destino final.
O município fez «um procedimento não só para esta intervenção, mas também para futuras, na ordem dos 70 mil euros, o que dará capacidade para nas próximas três ou quatro vezes que o fenómeno ocorrer dar uma resposta mais ágil», esclareceu Luís Encarnação ao revelar que esta limpeza ficará à volta de 20 mil euros, o que não inclui o depósito das algas no aterro, onde é cobrado 80 euros por tonelada.
O Largo de Carvoeiro perdeu vida com este problema ambiental de que a praia é alvo, assim como tantas outras no Algarve, o que tem levado locais e turistas a evitar a zona, notaram os comerciantes manifestando preocupação em relação às consequências que este problema poderá trazer à economia regional.
Também o presidente da autarquia partilha da mesma apreensão, «tendo em conta a importância que o turismo tem não só para Lagoa como para a região do Algarve», mencionou destacando o contributo que turismo do Algarve dá para o produto interno bruto (PIB) nacional.
A imensa quantidade de limos provocou constrangimentos às empresas marítimo turísticas, que ficaram impedidas de realizar as viagens com partida da Praia do Carvoeiro, e ao comércio local, com os lojistas a relatar uma diminuição acentuada de turistas na área.
Luís Encarnação é da opinião que esta matéria «tem de ser olhada não só pelo município de Lagoa, mas pelo governo, através do Fundo Ambiental» e apela a que se acelere e aprofunde investigação científica de forma a obter conhecimento suficiente que permita perceber se é possível aproveitar esta alga.
O método adotado dá uma resposta, conscientemente, temporária ao problema porém, o município pretende que se alcance «uma solução duradoura» prevendo-se que, ao longo da época alta, se volte a verificar este fenómeno várias vezes.


