Polo Tecnológico é projeto há muito ansiado. Completará as valências do Autódromo Internacional do Algarve, abrindo portas à inovação no mundo automóvel global.
Um novo polo tecnológico dedicado às energias renováveis aplicadas à mobilidade vai nascer junto ao Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão, ao abrigo de um investimento de 7,2 milhões de euros, com um apoio de quatro milhões de fundos europeus do Programa Operacional do Algarve – CRESC Algarve 2020.
Feitas as contas, corresponde a uma taxa de cofinanciamento de 55 por cento, efetuado com verbas do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) geridas na região.
O projeto será desenvolvido pela CELERATOR – Associação Parque Tecnológico do Algarve, constituída pela empresa Parkalgar, Parques Tecnológicos e Desportivos SA, que gere o AIA, e a Universidade do Algarve (UAlg).
O objetivo é construir o futuro Polo Tecnológico dos Transportes, Mobilidade e Soluções Energéticas e instalar numa área de 1.818 metros quadrados (m²). A meta estabelecida é conseguir atrair e instalar cinco empresas de alta e média-alta tecnologia até 2024.
Durante a apresentação pública, que teve lugar na sexta-feira, dia 26 de agosto, José Apolinário, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, salientou o regresso e reforço da presença da UAlg no Barlavento.
A nova infraestrutura de inovação tecnológica permitirá «aproveitar o trator do turismo para a diversificação económica», contribuindo para a coesão territorial e criação de emprego qualificado. Será instalada numa área de baixa densidade, com foco «na transição climática e na mobilidade sustentável» objetivos comuns à estratégia regional para 2030.
Paulo Pinheiro, administrador da Parkalgar, falando em nome da associação CELERATOR, afirmou que esta nova valência vai fazer com que os «caminhos futuros para a mobilidade e sustentabilidade passem por Portimão», contribuindo para que o Algarve ganhe «competitividade na área da engenharia e das novas tecnologias», complementando todas as outras atividades já desenvolvidas no AIA.
«Queremos atrair empresas relacionadas com o ramo automóvel. O objetivo é que precisem, em permanência, da pista para testes. Faz sentido porque vai criar condições para que a atividade do AIA se perpetue», considerou Paulo Pinheiro, abrindo portas ao emprego especializado.
Na mesma sintonia, Paulo Águas, Reitor da UAlg, defendeu que a criação do novo polo «faz parte da missão da academia» que «só tem a beneficiar com uma região que tenha uma economia mais diversificada e capaz de gerar trabalho mais qualificado».
Destacando o papel determinante das entidades que constituíram a associação, Isilda Gomes, presidente da Câmara de Portimão, destacou o papel de Paulo Pinheiro, e enfatizou o âmbito regional da infraestrutura e a sua dimensão internacional, afirmando que «o que é bom para Portimão, para Lagos ou Lagoa, é bom para o Algarve todo».
Na sua intervenção, António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão e da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, recordou que os autarcas algarvios consideraram este Polo Tecnológico como o terceiro investimento mais importante para a região, logo depois da obra de expansão do Porto Comercial de Portimão (segundo) e do Hospital Central do Algarve (primeiro).
O plano é estimular a investigação, desenvolvimento e implementação de soluções energéticas à base de hidrogénio verde e de combustíveis sintéticos, incluindo a construção de instalações, laboratórios e centros de ensaios para motores de combustão interna com e sem sistemas híbridos de energia acoplados.
Em paralelo, está prevista a instalação de módulos para investigação de processo de criação e implementação de pilhas de combustível em meios de transporte convencionais, assim como a instalação de unidades para a reciclagem, com reutilização maximizada de baterias elétricas de automóveis em fim de vida.
O projeto inclui ainda uma unidade de investigação e desenvolvimento com componente de comparação com unidade convencional, para motores térmicos «Otto», usando combustíveis sintéticos, para usos diversificados.
Segundo os promotores, a investigação e desenvolvimento de soluções e tecnologias nestas áreas será desenvolvida em parceria pelos sistemas empresarial, científico e tecnológico.
Na génese desta infraestrutura está também a criação de soluções tecnológicas que serão desenvolvidas e colocadas no mercado, contribuindo para cumprir os compromissos de neutralidade carbónica assumidos por Portugal e pela União Europeia.
Nas intervenções finais, a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, e a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, sublinharam o potencial deste investimento.
Ana Abrunhosa destacou que este é o único polo tecnológico do país onde existe um «laboratório vivo», que congrega uma pista para corridas automóveis e um laboratório no sector dos transportes, mobilidade e soluções energéticas. «Já aqui temos a última fase de muitos projetos, a atividade económica e os futuros parceiros que vão beneficiar da inovação e das novas soluções».
Desde 2020 que Paulo Pinheiro e a sua equipa têm vido a dar prioridade ao projeto do Polo Tecnológico.
