Diretoria do Sul da Polícia Judiciária (PJ), no âmbito da renovação do parque informático, doou 14 equipamentos para a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Faro distribuir por quem mais precisa.
Consciente das dificuldades acrescidas que a pandemia da COVID-19 veio trazer às famílias mais vulneráveis, sobretudo no que toca ao acesso a meios informáticos para o ensino à distância, a Polícia Judiciária decidiu doar 14 computadores à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Faro.
A iniciativa, que mereceu a concordância da direção nacional da PJ, teve por objetivo ajudar os alunos de famílias carenciadas. Segundo Nídia Cavaco, presidente da CPCJ farense, foi aquela polícia que entrou em contacto com a instituição.
«Foi uma excelente surpresa e inesperada. Já tinha recebido alguns pedidos de ajuda por parte de pais que estavam com muitas dificuldades. Até as famílias organizadas e trabalhadoras, com dois ou três filhos a cargo e com ordenados baixos, têm dificuldade em gerir essa situação. Assim, conseguimos responder em tempo recorde. Os computadores foram limpos e entregues».

No entanto, apesar desta preciosa ajuda, há famílias que continuam com outras carências.
«Esta doação foi uma porta que se abriu a estas crianças e jovens. Chegou-me um pedido de ajuda por parte de uma mãe com duas menores. Têm computador, mas não conseguem pagar o acesso à Internet». Pode parecer estranho, mas Nídia Cavaco explica.
«Uma família em sérias dificuldades, que recebe apoio alimentar e que é beneficiária do Rendimento Social de Inserção, como é que tem capacidade de pa gar esse serviço e dar supervisão aos filhos? Se não há dinheiro para comprar comida, como podem ter capacidade de adquirir equipamentos ou rede móvel?».
A pandemia, o confinamento e o ensino à distância, como já tinha previsto a responsável da CPCJ de Faro, vieram também trazer sinalizações com uma índole mais grave.
«A telescola é a alternativa viável, mas não a desejável. Associado a tudo isso está a violência doméstica, a carência alimentar e a falta de socialização das crianças. Muitas estão confinadas há meses, em espaços pequenos e sem grandes alternativas. Infelizmente, estas circunstâncias já se começam a refletir-se nas sinalizações de violência doméstica e em comportamentos mais graves nos jovens, como fugas de casa, automutilações e tentativas de suicídio. Não é que se notem mais pedidos de ajuda, nota-se é um aumento na gravidade das situações. São casos mais complexos, mais pesados e mais complicados. Os relatórios de violência doméstica que agora nos chegam, na sua maioria, são de vítimas que tiveram de receber tratamento hospitalar», revela ao barlavento.

Quanto à ajuda por parte da PJ, esta fez uma grande diferença nos agregados familiares necessitados. «Foi uma mais-valia que caiu do céu. Os pais não têm como agradecer e as crianças ficaram eufóricas, até porque muitas nunca tinham tido um computador em casa. Estou muito reconhecida. Faltam -me as palavras de agradecimento porque foi uma atitude muito meritória e uma luz para quem de facto precisa», garante a presidente.
Para já, ficam a faltar «cerca de mais uma dúzia de computadores, webcams e microfones. Precisamos de alguma entidade ou empresa que possa facultar estes recursos em nome da responsabilidade social. Seria uma mais-valia para estas crianças e jovens poderem estar em pé de igualdade com os restantes colegas», apela Nídia Cavaco.