Somos cada vez mais portugueses de ocasião num país à venda. Todo esse capital estrangeiro, milionário, que edifica hotéis, compra negócios antes portugueses, fecha terrenos e apropria-se de praias.
1) Um tempo menor
Filhos menores de um tempo cínico e mesquinho, caminhamos para a expulsão do pobre e a aceitação do rico, como o governo espelha na atual Lei dos Estrangeiros, com o apoio de toda a direita, da nacional-populista à liberal, passando pela incongruente democracia cristã – designação já sem sentido; tal como o eufemismo social democrata do PSD.
Esta Lei da Nacionalidade mistura imigração com identidade nacional, confunde cidadania e nacionalidade, memória e integração, distorcendo valores culturais, de modo pouco esclarecido e demagógico.
«Portugal fica mais Portugal depois desta lei» – Leitão Amaro dixit. Que parolice patrioteira! Se é assim tão forte o sentimento nacional dos nossos atuais governantes… Então preocupem-se em legislar algumas medidas que dificultem a especulação e o negócio imobiliário e abram caminho legislativo à resolução do grave problema do acesso à habitação.
2) Moral populista
Pobre moral populista que num país que tem sérios problemas de violência doméstica e abusos sexuais em contexto familiar, com o distrito de Faro a registar elevado número de vítimas, faça da presença de imigrantes asiáticos de turbante e de algumas raras mulheres de nîqab (não de burka que apenas é usada no Afeganistão) o seu campo de batalha política.
És rico, tens dinheiro, mais não seja para fazer umas boas lavagens em Portugal, damos-te um visto Gold. És pobre e procuras trabalho, põe-te a andar daqui pra fora. Ou então aguenta-te sem mulher e filhos, sem família; essa extraordinária receita para abrir caminho ao vício e à solidão. Mas esta gentinha da política, supostamente de bem, que aprova e defende isto, até se dizem muito católicos.
Onde pára o humanismo cristão?!… A tolerância e a aceitação do outro e da diferença?!…
3) Nativo em pé de guerra
Pois eu, desculpem-me a sinceridade, cada vez posso menos é com os estrangeiros que têm o poder de compra para tudo adquirirem. O for sale sempre foi imagem de marca na região desde a alvorada do turismo; mas está por demais e as imobiliárias ocuparam lugar central nas nossas vilas e cidades.
Na casa dos meus avôs, que dificilmente conservo, uns vizinhos alemães põem-me um bilhete debaixo da porta, a mostrar interesse. E quando veem que a ando a pintar, logo me perguntam – what about da house?… como se estivesse a fazer obras para vender… Vão-se lixar!… Não entendem que não está tudo à venda… Ainda há quem resista, tenha sentimento de pertença, orgulho e identidade. Gente intrometida! Por vezes tenho até um sentimento de hostilidade por ver que são eles que têm dinheiro para comprar e restaurar as bonitas casas ao abandono.
Irrita-me todo esse capital estrangeiro, milionário, que edifica hotéis, compra negócios antes portugueses, fecha terrenos e apropria-se de praias. Somos cada vez mais portugueses de ocasião num país à venda.
Paulo Penisga | Professor
