O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, defendeu hoje a necessidade de maior construção para mitigar a crise na habitação, apelando ao sector do cimento que não deixe as medidas fiscais «morrer na praia».
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, alertou que um eventual gargalo na indústria do cimento pode travar as políticas públicas para responder à crise da habitação, defendendo a necessidade de aumentar a construção e apelando ao sector para que não deixe as medidas fiscais «morrer na praia», esta sexta-feira, dia 23 de janeiro.
Numa intervenção numa conferência promovida pela Associação Portuguesa de Cimento (ATIC), em Lisboa, o ministro sublinhou que é preciso «construir mais» e regressar aos níveis de construção do início da década de 2000 para «colmatar o défice de oferta» existente no mercado da habitação.
«Se o sector encontrar um gargalo na vossa indústria, todas as medidas fiscais morreram na praia, todos os incentivos que estamos a criar, toda a visão e financiamento que encontrámos vai morrer na praia, porque o gargalo da indústria de cimento não permitiu», afirmou.
Miguel Pinto Luz referiu que o sector da habitação conta com cerca de nove mil milhões de euros de investimento público e com 150 mil fogos financiados pelo Orçamento do Estado, pelo Banco Europeu de Investimento e por fundos europeus. Ainda assim, assinalou que existe a consciência de que «o Estado, por si só, não consegue resolver o problema da habitação».
Nesse contexto, o ministro explicou que o Governo aplicou um conjunto de medidas fiscais para estimular o investimento privado na construção, incluindo incentivos e reduções fiscais, que classificou como um «choque fiscal». Segundo Miguel Pinto Luz, existe atualmente «quase uma ausência total de fiscalidade no sentido de incentivar o sector», precisamente para acelerar a resposta à crise habitacional.