O PCP acusa a maioria absoluta do PS de Portimão de um «exercício de hipocrisia» depois de votar contra três moções apresentadas pela CDU.
O Partido Socialista (PS), «num claro exercício de hipocrisia, votou contra três moções apresentadas pela CDU na sessão da Assembleia de dia 14 de dezembro, que exigiam medidas que visavam reforçar direitos constitucionais e inalienáveis da população: o direito à saúde e o reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o direito à mobilidade e ao transporte público. E por acréscimo melhorariam a vida dos algarvios e assegurariam o desenvolvimento da região».
Quem o acusa é a comissão concelhia do Partido Comunista Português (PCP) de Portimão, em comunicado de imprensa enviado ontem, quinta-feira, 21 de dezembro, à redação do barlavento.
«As moções, que reproduzimos na íntegra, sobre o Hospital Central do Algarve, sobre a eliminação das portagens na Via do Infante, e sobre o investimento em infraestruturas e serviço de transporte ferroviário no Algarve, instavam a Assembleia Municipal de Portimão a tomar posição em defesa destes direitos», esclarecem os comunistas.
Em simultâneo, o PCP exigia a transferência de verbas de dotação do Ministério das Finanças a favor da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, necessárias à concretização do investimento no novo Hospital do Algarve, num modelo de construção e de gestão integralmente público.
Era igualmente exigido o fim da cobrança de portagens na A22 «como passo para garantir o direito à mobilidade das populações, o combate às desigualdades no território e o desenvolvimento do país».
Ainda no âmbito da mobilidade, a comissão concelhia pedia que o Ministério das Finanças assegurasse a transferência, em 2024, para a IP – Infraestruturas de Portugal, S.A. das verbas necessárias à realização dos investimentos em infraestruturas e serviço de transporte ferroviário no Algarve como modernização e eletrificação; novas ligações ferroviárias; Concordância de Tunes; Ligação em Alta Velocidade- ligação Faro – Huelva – Sevilha sem dependência da ligação Lisboa – Évora – Beja – Faro; Serviço Intercidades – concretização do investimento necessário à disponibilização do serviço Intercidades até Vila Real de Santo António; Reabertura de estações ferroviárias; Manutenção e reparação de material circulante, considerando de forma adequada o investimento nas oficinas da CP na região e outros investimentos diversos.
O PS, «no seu choradinho habitual considerou, além de extemporâneas as exigências, que apesar de atrasos por condicionamentos, a eletrificação da linha férrea, timidamente lá começou».
Sobre o Hospital Central, disseram «bom, vamos lá a ver, vai ser lançado o concurso», numa Parceria público-privada (PPP) obviamente. E em relação às portagens: «estabeleceram umas reduçõezinhas no orçamento», aponta o PCP Portimão.
Para a comissão concelhia, o PS, «na sua fluente oratória lá preveniu que as exigências do PCP eram pura ideologia e que o PCP precisa de mudar. Pois também de pura ideologia vive o PS de Portimão. A ideologia do negócio da doença, do prejuízo do público, para os amigos do privado», acusam no documento.
E exemplificam: «veja-se o caso da PPP ruinosa da Via do Infante. Esta, a ideologia do capital em detrimento do interesse público e da população, tira partido, também, na Assembleia Municipal de Portimão, da maioria absoluta do PS, cuja política é oposta à necessidade de um SNS de qualidade, de um serviço de transportes de qualidade, que efetivamente cumpram as suas constitucionais missões e obrigações».
«Da nossa parte, continuaremos a nossa ideologia de defesa dos interesses da população, da região e do país», concluem no comunicado de imprensa.