Vem isto a propósito de muitos daqueles que, no domínio da política, tendo ideologicamente mudado de campo e passado a ser paladinos das, para si, novas verdades, nunca os termos visto, contudo, assumir o seu passado e pedir desculpa a todos os que, então, andaram militantemente a doutrinar e a meter por caminhos que, entretanto, passaram a denunciar, como se tal passado não tivesse existido ou, quando confrontados com ele, procurando, cobarde e cinicamente, «adocicá-lo», como não tendo passado dum simples «devaneio» próprio da juventude, ainda que já fossem maiores, vacinados e, muitas vezes, com formação académica ou recorrendo a qualquer outro mal engendrado justificativo. Assim sendo, será legítimo questionarmo-nos se a mudança de campo operada por tais personagens foi ditada, honestamente, por um outra visão das coisas (o que hoje temos como certo, amanhã poderemos concluir como estando errado) ou se por mero oportunismo, ditado por alteração da correlação de forças entre aqueles que disputam o exercício do Poder e do lado daqueles que o dominam querendo estar, com todos os benefícios pessoais que daí possam extrair. *Advogado