Da autoria de Conceição Abreu, a mostra estará patente no Museu de Portimão entre 9 de setembro e 29 de outubro, sob curadoria de Sofia Marçal.
A exposição «Entre as linhas de pescar e de tecer», de Conceição Abreu, vai ser inaugurada no Museu de Portimão, no dia 9 de setembro, às 17h00.
A mostra reúne uma seleção de trabalhos de diferentes tipologias, com o recurso a variadas técnicas, entre desenhos, esculturas, instalações e fotografias.
Sob curadoria de Sofia Marçal, «Entre as linhas de pescar e de tecer» foi idealizada com o propósito de criar, numa perspetiva contemporânea, um diálogo com a coleção etnográfica do Museu de Portimão e a história da pesca ligada à cidade, podendo ser considerada quase uma exposição retrospetiva, onde a leveza das obras expostas se enquadra numa narrativa poética expandida no tempo.
Os trabalhos, onde as linhas de pescar e de tecer se encontram, refletem o compromisso da artista na busca pelos limites dos materiais e das matérias, concretizando-os em obras de arte e conferindo-lhes imortalidade, ao expandir a ideia de perpetuidade relacionada com a conceção das redes de pesca.
«Onde há redes, há rendas»
O Museu de Portimão, ligado às práticas da pesca e ao mar, às noções de partir e voltar, inspirou Conceição Abreu a idealizar esta exposição, tendo como ponto de partida uma obra sua de 2015, intitulada «Destempo» e tecida com fio de nylon (normalmente usado como fio de pesca) e linha de algodão (próprio dos trabalhos manuais efetuados em crochet, como podem ser exemplo as colchas brancas que noutros tempos cobriam as camas), na qual ecoa o ditado popular «onde há redes, há rendas».
Segundo Conceição Abreu, «ligada às povoações do litoral com atividade piscatória, emergem as noções de viagem e de lugar, que aqui se desenvolvem na sua ligação e entretecimento, tendo como imagem as linhas que as unem e entrelaçam», de onde as peças expostas resultam, «através dos cruzamentos com os quais se formaram tessituras e malhas».
«Incessante busca da simplicidade do gesto»
A exposição, que «pretende ser viagem e permanência visual e estética», também procura refletir o percurso que Conceição Abreu tem vindo a fazer, «na incessante busca da simplicidade do gesto, na pureza dos materiais utilizados na construção dos trabalhos e na subtileza e clareza do traço, do desenho».
Conceição Abreu, nascida em Sintra no ano de 1961, é artista plástica e investigadora. Doutorada em Arte e Design (DAD) pela FBAUP (2018), mestre em Arte Multimédia – Fotografia, pela FBAUL (2012), licenciada em 2010 com Bacharelato em Dança, pela Escola Superior de Dança de Lisboa (1989). Projeto Individual em Pintura (2000) e Estudos Completos de Pintura (1998) da Escola Ar.Co, expõe regularmente desde 1999, estando representada em diversas coleções na França, na Austrália e em Portugal.
A mostra «Entre as linhas de pescar e de tecer» estará patente até 29 de outubro no Museu de Portimão, onde pode ser vista à terça-feira, das 14h30 às 18h00, e de quarta-feira a domingo, entre as 10h00 e as 18h00, com entrada livre aos domingos, das 10h00 às 14h00.