O primeiro-ministro afirma que a percepção de caos no SNS não corresponde à realidade e garante que os tempos de espera nos hospitais são os melhores dos últimos cinco anos.
O primeiro-ministro defendeu hoje que existe uma «percepção de caos» no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas afirmou que «isso não é a realidade», sustentando que os tempos de espera nos hospitais «são os melhores dos últimos cinco anos».
A discursar no Porto, na inauguração da sede da Direção Executiva do SNS, Luís Montenegro reconheceu que se vive «um tempo estranho» e que existe uma «absoluta desproporção» entre o trabalho realizado pelos profissionais de saúde nos hospitais e aquilo que descreveu como uma «onda noticiosa».
As declarações surgem num contexto de forte pressão sobre o SNS, marcado por constrangimentos no funcionamento das urgências e por críticas recorrentes à resposta hospitalar.
«Nós somos todos os dias confrontados com uma percepção de caos, de crise, de problema permanente. Eu não quero, com isto, diminuir os casos na base dos quais esta percepção é criada. O que eu tenho a obrigação, em nome também dos prestadores de serviços, dos profissionais, é dizer que, felizmente para todos nós, isso não é a realidade que os tais mais de 150 mil atos diários dos profissionais do SNS enfrentam todos os dias», afirmou o primeiro-ministro.
Luís Montenegro alertou para o risco das generalizações e garantiu que, este ano, os tempos de espera nos hospitais «são mais baixos» do que no ano anterior, apesar do que classificou como um nível de adversidade sem precedentes.
«Num ano onde o nível de adversidade não tem comparação com os anos anteriores, não tem, não tem mesmo», afirmou.
O chefe do Governo reforçou ainda que «os tempos de espera nas urgências em Portugal são os mais baixos» quando comparados com os últimos anos. «São mais baixos do que foram o ano passado, mais baixos do que foram há dois anos, mais baixos do que foram há três, há quatro e há cinco anos. São os melhores dos últimos cinco anos. São os melhores do ponto de vista do desempenho», disse.
O primeiro-ministro não especificou que indicadores sustentam a comparação dos tempos de espera, referindo-se de forma genérica ao desempenho das urgências hospitalares.
Apesar disso, sublinhou que estes resultados «não são motivo para estarmos satisfeitos», defendendo que o SNS pode «melhorar ainda mais».