Monchique soma 150 ocorrências numa semana e mantém a EN266 condicionada e várias outras cortadas devido às fortes chuvas.
Monchique registou cerca de 150 ocorrências na última semana, sobretudo movimentações de massas, aluimentos e quedas de árvores, que obrigaram a cortes e condicionamentos em várias estradas, entre elas a Estrada Nacional (EN) 266, que liga Monchique a Portimão, disse o presidente da câmara, esta quinta-feira, dia 12 de fevereiro.
Paulo Alves afirmou à agência Lusa que o Serviço Municipal de Proteção Civil contabilizou desde o dia 4 «aproximadamente 150 ocorrências de diversos tipos, mas principalmente movimentação de massas, aluimentos, quedas de árvores e outros».
Questionado sobre as vias afetadas, o autarca do distrito de Faro indicou que a EN266 está «condicionada em vários troços, sobretudo entre as Caldas de Monchique e a entrada da vila», onde a circulação decorre de forma alternada, com semáforos.
Acrescentou que a mesma estrada está completamente cortada entre os concelhos de Monchique e Odemira, na zona entre Monchique e Sabóia. A estrada que liga Monchique ao Alferce, pelo lado sul da Picota, também permanece totalmente cortada, sem previsão de reabertura.
O presidente da câmara referiu ainda que a «estrada da Perna da Negra também está cortada, num troço», existindo «outros caminhos municipais completamente cortados», como «a estrada Velha, que liga Monchique à Nave».
«Neste momento temos, julgo que são cinco ou seis estradas e caminhos municipais completamente interditos e a estrada nacional com diversos condicionamentos», afirmou, classificando algumas situações na rede viária como «bastante graves».
Paulo Alves alertou que não será possível «solucionar para já» estas limitações, porque é necessário realizar primeiro um levantamento técnico para identificar os problemas e só depois avançar com a reabilitação, trabalho que apenas poderá ser executado quando o tempo estabilizar.
As ocorrências não causaram danos pessoais, mas têm obrigado os serviços municipais, o Serviço Municipal de Proteção Civil e os Bombeiros Voluntários de Monchique a intervir de forma «inexcedível», juntamente com sapadores florestais, empresas de comunicação e gestoras de redes viárias, para «não ter pessoas isoladas», destacou.
«Pontualmente tem havido algumas habitações que têm ficado momentaneamente isoladas, mas temos conseguido responder», assegurou o autarca, esclarecendo que estes casos se registaram sobretudo na zona norte do concelho, nas áreas da Perna da Negra, de Foz do Carvalhoso e na zona que faz fronteira com o concelho de Odemira, no distrito de Beja.
Os danos materiais provocados pelo mau tempo têm impacto também na hotelaria, indicou, referindo que os hotéis da Vila Termal de Monchique «cancelaram as reservas que tinham» porque enfrentam «problemas a diversos níveis».
O presidente da câmara afirmou ainda que Monchique foi o concelho do país «onde mais choveu» no dia 4 de fevereiro, segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), com 92,8 litros por metro quadrado.
Entre 26 de janeiro e 4 de fevereiro caíram em Monchique 290 litros por metro quadrado (m2), o que representa um aumento de mais de 400% face à média habitual para este período, salientou.
No plano nacional, a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou 16 mortos, centenas de feridos e desalojados, além de danos significativos em infraestruturas e serviços.
Foto: João Rochato