Miguel Araújo, cantor e compositor, vai atuar no Festival F onde apresentará vários temas dos seus mais recentes álbuns.
O Algarve é uma das fontes de inspiração para o músico, autor e intérprete Miguel Araújo, sendo que todos os anos passa, no mínimo, três semanas de férias em concelhos diferentes da região. Em criança, as pausas das aulas eram passadas em Armação de Pêra, no apartamento dos avós, mas foi na Praia da Prainha, em Portimão, que escreveu «A Incrível História de Gabriela de Jesus», canção interpretada pelo próprio, e «Bem-me Quer», tema cantado por Joana Almeirante, que foi genérico de uma telenovela.
E escolheu o núcleo do Farol da Ilha da Culatra para gravar «Talvez se eu Dançasse». «Adoro o Algarve, conheço a região de uma ponta a outra. Gostava muito de vir para cá morar um dia», assegura ao barlavento.
Além disso, o compositor é da opinião que tanto o Festival F, como o MED, em Loulé, «são os festivais portugueses que mais gosto. O facto de acontecerem integrados na comunidade, no centro histórico de ambas as cidades, com os palcos integrados na arquitetura local e na cultura, faz toda a diferença» em relação a outros eventos.
No sábado, dia 3 de setembro, Miguel Araújo é um dos cabeças de cartaz do palco Ria, onde atuará pela quarta vez no evento que marca a despedida do verão na capital algarvia.
«Adoro o F e faço questão de estar presente para ver os outros espetáculos e concertos. A primeira vez que estive aqui foi em 2013, com a Luísa Sobral. A última foi já no formato de pandemia», recorda. Pelo meio, em 2017, foi o concerto do Festival F que lhe garantiu o prémio no Iberian Festival Awards de melhor concerto em Portugal.
Questionado sobre que temas irá tocar na edição deste ano, que decorre entre os dias 1 e 3 de setembro, Miguel Araújo recorda que «tenho seis discos, metade são de 2020 para cá. Vou tocar repertório de cada. Metade das músicas serão dos últimos trabalhos e a outra metade dos anteriores».
O álbum mais recente, «Chá Lá Lá», contou com participações especiais de várias músicos convidados como Rui Reininho, Tim e António Zambujo. Alguns poderão vir a juntar-se ao cantor no palco do F.
«Sei que atuo no mesmo dia que o Dino d´Santiago e a última vez que estive com ele num festival, foi no MED. Cantámos juntos a Anda comigo ver os aviões. Não está no programa mas, na altura, também não estava e encontrámo-nos no camarim. Em 2017 cantei com o Jorge Palma Like a Rolling Stone, o clássico de Bob Dylan».
Por sua vez, Gil Silva, diretor do Teatro das Figuras, uma das infraestruturas responsáveis pela organização do certame em conjunto com o município de Faro, a Ambifaro e a Sons em Trânsito, explica quais os critérios para a escolha do cartaz de 2022.
«A ideia é termos algum ecletismo na programação para chegarmos a diferentes públicos e apresentar novidades. Ou seja, há músicos portugueses que se estão a lançar, que têm projetos novos com muita qualidade e vamos apresentá-los no F. Esses foram os aspetos que tivemos em consideração. Tivemos dois anos de hiato em que os músicos não tocaram ao vivo e este momento é também uma oportunidade para se apresentarem ao público, sobretudo os artistas que editaram álbuns recentemente», aponta.
A sétima edição do Festival F, que marca também o regresso do evento ao seu formato original, nas palavras de Gil Silva, «é uma festa de Faro e do Algarve, em que vamos comemorar a música e o próprio convívio que nos foi retirado com a pandemia. A edição deste ano retoma essa dinâmica que este festival tem e que continuará a ter. Há muito tempo para recuperar, muito para ver e muitos bons para projetos conhecer. Aconselho todos a virem desfrutar connosco».
Em 2023 o Teatro das Figuras, em Faro, vai atingir a maioridade ao celebrar o seu 18º aniversário. Gil Silva, diretor interino daquele equipamento cultural revela que «estamos cada vez mais a apostar nas coproduções. Ou seja, somos cada vez mais uma estrutura que ajuda a produzir espetáculos e que apoia os artistas a poderem criar e apresentar as suas obras. Para o ano vamos continuar a seguir essa linha e vamos ter vários momentos muito interessantes e importantes».
Nove palcos e mais de 50 artistas
Este ano, o Festival F terá nove palcos – Ria, Sé, Quintalão, Museu, Músicos, Castelo, Arco e os novos Magistério e Arraial – e contará com mais de 50 artistas entre os quais AGIR, Bárbara Bandeira, Dino D’ Santiago, HMB, José Cid com Orquestra Clássica do Sul, Julinho KSD, Miguel Araújo, Richie Campbell, The Black Mamba, Wet Bed Gang entre outros. As portas do recinto abrem às 18h00 e a festa a prolongar-se até às 05h00. Além do cartaz musical, haverá exposições de arte contemporânea na Fábrica da Cerveja e na Galeria Arco e regressa a aposta na stand up comedy com Hugo Sousa, João Pinto, Inês Coimbra e Youre Cabral (dia 1); Alexandre Santos, Duarte Pita Negrão, Dagu e André Pinheiro (dia 2); Dário Guerreiro, Juan Pereira, Madalena Malveiro e Ricardo Maria (dia 3 de setembro).
Em relação às tertúlias, que acontecem todos os dias nos Claustros da Sé, às 21h30, o primeiro debate é sobre «Quanto vale um meme?» com Luís Rodrigues (Insónias em Carvão), José de Pina (argumentista/humorista) e Diana Duarte (autora de «A Minha Geração» na RTP3 e Antena 3).
No dia 2 de setembro discute-se como «Podemos ser super adeptos sem nos tornarmos fanáticos?» com Vasco Mendonça (Cronista), Sofia Oliveira (comentadora desportiva) e Cláudia Lopes (jornalista).
No último dia do F será debatida a saúde mental no pós-pandemia sob o lema «O que é que os últimos três anos fizeram à nossa cabeça?» com Lídia Franco (atriz), Pedro Vieira (escritor e apresentador) e Hugo Van Der Ding (ilustrador, autor e apresentador).
Os bilhetes diários custam 22 euros e os passes gerais 54 euros para os três dias.
A entrada gratuita para crianças e jovens até aos 12 anos de idade. Funcionará também o espaço F Kids, com atividades lúdico-pedagógicas com a temática da sustentabilidade ambiental entre as 20 e as 24 horas, para crianças dos seis aos 10 anos.