O grupo de migrantes qualificado pela Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve (EHTA) iniciou uma nova etapa de integração no sector, com a realização de estágios profissionais.
Os estágios profissionais de 17 migrantes que, no âmbito do programa «Integrar para o Turismo», fizeram a formação na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve (EHTA), iniciaram a 2 de agosto.
Após 360 horas de formação técnica, o programa continua em sete unidades hoteleiras da região, com estágios remunerados que decorrem durante todo o mês de agosto.
No total, a EHTA já qualificou mais de duas dezenas de migrantes, oriundos da Índia, Venezuela, Brasil e Nepal, contribuindo ativamente para a inclusão social e profissional no sector do turismo.
A iniciativa, que é parte integrante do Programa «Integrar para o Turismo» – uma parceria entre o Turismo de Portugal, através da Rede de Escolas de Hotelaria e Turismo, a Agência de Integração de Migrações e Asilo (AIMA) e a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) -, alia formação e qualificação, com o objetivo de criar oportunidades reais de futuro para migrantes e beneficiários de proteção internacional que escolheram Portugal como país de acolhimento.
No caso da EHTA, estes migrantes, a frequentar o curso de Cozinha/Pastelaria, têm desenvolvido as suas competências através de uma aprendizagem técnica, centrada no domínio prático e, em simultâneo, têm expandido a sua formação sociocultural, através da aprendizagem da língua e cultura portuguesas e da aquisição de novas soft skills adaptadas à realidade do país.
Santosh Khanal, natural do Nepal, tem 33 anos e veio há oito para Portugal. Tem trabalhado na restauração e decidiu integrar este programa para ganhar novas competências e adquirir uma nova visão do sector.
«Nesta primeira fase da formação aprendi muito sobre a vertente teórica e prática da Cozinha e Pastelaria. Melhorei o meu português e gostei imenso de saber mais sobre a história, cultura e gastronomia portuguesas. Como venho de uma cultura muito diferente, esta formação está-me a ajudar a sentir mais integrado, conectado e confiante», refere o aluno nepalês.
A maioria optou por realizar o estágio nas mais prestigiadas cadeias de hotéis do Algarve, como foi o caso da venezuelana Dóris Languado, de 57 anos, licenciada em Engenharia e Ciências Matemáticas.
Está há um ano e meio em Portugal e tem trabalhado como governanta em hotelaria. A formação em Cozinha/Pastelaria abre-lhe novas oportunidades e por isso refere que o estágio vai ser muito importante.
«O estágio vai ser fundamental para eu crescer nesta profissão, desenvolver ainda mais as competências adquiridas na formação técnica. Gosto muito desta área e espero inclusive vir a cozinhar para clientes que apreciam a gastronomia venezuelana. Tenho formação universitária em diversas áreas, mas esta nova formação dá-me mais uma vantagem para trabalhar e progredir como imigrante, sempre na esperança de melhores oportunidades. No futuro, gostava de abrir um negócio relacionado com a alimentação», afirma a formanda.
Já a diretora da EHTA, Paula Vicente, destaca o enriquecimento que este programa traz para o turismo: «tem sido muito especial para todos nós, tanto para formandos como para formadores, pois é uma ferramenta poderosa de transformação social, que oferece oportunidades concretas a quem escolheu Portugal como a sua nova casa. Ao capacitarmos estes formandos estamos também a enriquecer o sector do turismo com diversidade, talento e histórias de vida. A dedicação, o empenho e a vontade de aprender que têm demonstrado são inspiradores e mostram-nos o verdadeiro significado da resiliência e da superação».
Depois do estágio concluído, os novos profissionais estarão aptos para a imediata integração no mercado de trabalho.

