Uma «algarvia» nascida em Beja, Margarida Gil Morais é a única mulher portuguesa na Fórmula Windsurfing, tendo-se sagrado campeã mundial, nos Açores, em 2014. Esta jovem determinada treina «sempre que há vento», seja na costa algarvia ou na barragem do Alqueva, tem uma relação muito antiga com o mar, o vento e as velas. E um palmarés de fazer inveja a muitos outros atletas. Foi o pai quem a levou para a vela, como já tinha acontecido com o irmão mais velho, também hoje a competir na Formula Windsurfing.
Em 2000, com 7 anos, inicia-se na vela, na classe Optimist, e começa a mostrar o seu talento, tendo feito a transição para o Laser 4.7, aos 12 anos. Nesta classe, foi arrecadando troféus, dos quais se destacam os títulos de campeã nacional, campeã ibérica, vencedora do ranking nacional e de duas provas Eurocup. Em 2011, decide passar para a Formula Windsurfing e os sucessos continuam, vindo a culminar no título mundial feminino, em 2014.
barlavento – Porquê a passagem da vela para a Formula Windsurfing?
Margarida Gil Morais – A principal razão foi a maior facilidade em transportar e guardar o material. Depois, porque é uma classe mais rápida e mais divertida. É uma adrenalina diferente, tem menos tática, mas requer mais técnica.
Há muitas mulheres a praticar a modalidade?
Em Portugal, sou a única a competir. Há três em Espanha e, nos campeonatos do mundo, aparecem cerca de quinze.
Vejo ali uma prancha com pouco mais de dois metros quadrados, que me disse pesar cerca de oito quilos. Que velas usa?
O máximo que uso são dez metros quadrados. Também tenho com oito metros e sessenta e nove metros quadrados.
Com ventos que chegam a atingir trinta nós, como aconteceu nos Açores, que velocidades podem atingir?
Podemos chegar aos quarenta nós, impensável na vela. É uma modalidade mais intensa, mais rápida, sem tempo para pensar. É apostar na velocidade, no ângulo e na técnica. Mas as regatas são mais curtas; cerca de sete minutos, enquanto na vela rondavam uma hora.
Requer muita força, ou é mais equilíbrio?
É preciso força, mas é necessário mais jeito e técnica, porque nenhum de nós tem força para contrariar o vento. Temos é de aproveitá-lo em nosso favor.
Mas a vela vai sempre em tensão e é necessário segurá-la?
Sim, mas o arnês ajuda. O que conta é o equilíbrio. Quanto melhor se anda, menos força se faz.
A Margarida vive em Tavira, pertence ao Clube de Vela de Vilamoura, mas desloca-se frequentemente à Praia da Rocha para treinar, cerca de 200 quilómetros ida e volta. Porquê?
Treino a maior parte do tempo em Tavira. No inverno, quando está temporal, treino no Alentejo, no Alqueva. Venho a Portimão, porque é onde há mais gente a andar de Formula e temos o Miguel Martinho, o Vasco Chaveca e outros que andam por aí e me ajudam a evoluir. São muito bons a nível nacional e internacional. Estão aqui os grandes nomes do windsurf. E foi aqui que comprámos as primeiras pranchas.
Campeã mundial nos Açores, numas condições que me descreveram como péssimas, com o vento a rodar continuamente, chegando a atingir os trinta nós. Como foi?
No último dia, foi muito mau, porque eu, sendo leve, ando melhor com pouco vento.
Quantos dias treina por semana?
Sempre que há vento, geralmente cinco ou seis dias por semana.
E quando não está a treinar, faz o quê?
Fiz uma licenciatura em Design e criei uma marca, chamada «Mar é Meu», direcionada para a moda. Neste momento, produzo colares, pulseiras e chapéus com verdadeiros cabos de barcos. Estou a tentar colocar a marca no mercado e tenho projetos para outros produtos, destinados à decoração.
Há quanto tempo tem a sua empresa?
A ideia tem cerca de ano e meio, mas a marca só foi registada em maio. Está no início, numa base muito artesanal, tudo executado por mim. Eu sei fazer as coisas e gosto que sejam feitas por mim.
Pelo que depreendo, é difícil viver só do windsurf, mesmo quando se é campeão?
Neste momento, é impossível. Tentei arranjar um patrocínio, mas os resultados destes desportos são pouco divulgados e as empresas desconhecem o potencial promocional que lhes podemos proporcionar.
O futuro?
Neste momento, desejo evoluir. Este ano tem-me corrido mal a nível desportivo. O ano passado, fiz o campeonato com material do ano anterior e decidimos adquirir material para esta época. Devia ter chegado em janeiro, para me habituar, e só está a chegar agora. No campeonato do mundo, em Lagos, parti dois mastros e rasguei duas velas. Correu-me tudo mal, devido ao material. Vamos esperar pela próxima época.
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Palmarés
Em Formula Windsurfing, Margarida Gil Morais conseguiu:
2012
Campeonato Nacional
• 1º Feminino / 1º Youth
Ranking Nacional FW
• 1º Feminino / 9º Geral
2013
Campeonato Nacional
• 1º Feminino / 8º Geral
Campeonato Ibérico
• 1º Feminino / 8º Geral
European Championship
Youth & Masters
• 1º Feminino / 15º Geral
Ranking Nacional
• 1º Feminino /
• 1º Senior / – 3º Geral
2014
Campeonato Nacional
– 1º Feminino
Campeonato Ibérico
– 1º Femimino / – 14º Geral
Campeonato do Mundo
– 1º Feminino
Ranking Nacional
– 1º Feminino /
– 1º Senior / – 7º Geral
Em 2015, um atraso na entrega do novo equipamento está a prejudicar a época.