Marcelo Rebelo de Sousa diz confiar num futuro melhor para Portugal com «soluções e pessoas novas», na última mensagem de Ano Novo como Presidente da República.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou confiar que Portugal terá um futuro melhor, com «soluções e pessoas novas», fazendo alusão a próximas escolhas eleitorais dos portugueses, ao final da tarde de ontem, dia 1 de janeiro.
Na sua última mensagem de Ano Novo como chefe de Estado, a partir do Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa fez votos de um 2026 com melhorias em vários setores, «com ideias, soluções e pessoas novas», referindo que «é essa a natureza e a força da democracia».
A menos de três semanas das eleições presidenciais de 18 de janeiro, o Presidente da República afirmou que «o povo escolhe livremente o que quer e quem quer para o futuro, com a esperança de que seja diferente e melhor do que o passado» em termos de «ideias, soluções e pessoas», e manifestou a certeza de que o país terá «melhor futuro do que passado».
«Certeza por uma razão decisiva, que se chama portugueses. Esses portugueses que há quase 900 anos, nascidos ou acolhidos cá dentro e lá fora, fazem todos os dias Portugal», acrescentou, fazendo questão de abranger também os estrangeiros que imigraram para Portugal e se naturalizaram.
Depois, o chefe de Estado citou um excerto do romance «A Ilustre Casa de Ramires», de Eça de Queirós, publicado «agora faz 125 anos, em 1900», para descrever os portugueses, a partir do protagonista, Gonçalo Mendes Ramires.
«A franqueza, a doçura, a bondade, a imensa bondade, os fogachos e entusiasmos que acabam logo em fumo, e juntamente muita persistência, muito aferro quando se fila à sua ideia. A generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios, e sentimentos de muita honra, uns escrúpulos quase pueris», leu.
Marcelo Rebelo de Sousa continuou a leitura: «A imaginação, que leva sempre a exagerar até à mentira e, ao mesmo tempo, um espírito prático, sempre atento à realidade útil. A viveza, a facilidade em compreender, em apanhar. A esperança constante de algum milagre, no velho milagre do Ourique que sanará todas as dificuldades».
«A desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda e o encolhe, até que, um dia, se decide e aparece um herói que tudo arrasa», prosseguiu, para no fim repetir a pergunta posta por Eça na boca de outra personagem: «Sabem vocês quem me lembra Gonçalo? E a resposta é Portugal».
«Queridos compatriotas, com qualidades e coragem excecionais, que de longe superam os defeitos, assim somos há quase 900 anos. Assim seremos sempre. Muito boa noite. Um feliz 2026», concluiu o Presidente da República, que em 09 de março terminará o seu segundo e último mandato.