A Malvada em coprodução com o Cineteatro Louletano apresenta hoje o espetáculo «ERRANTE», uma criação de Ana Luena & José Miguel Soares, às 17h00.
«ERRANTE», uma criação da autoria de Ana Luena & José Miguel Soares, inspira-se na relação entre o migrante e o conceito de terrain vague, como espaço expectante, abandonado, mais ou menos delimitado, que habita no coração da cidade.
Estas manchas de «não-cidade» e de «ninguém» são espaços ausentes, ignorados ou caídos em desuso.
Interessa aprofundar a ideia de esquecimento, mas também de vago, impreciso e incerto (que o sentido da palavra em francês carrega) e de estrangeiro, no sentido mais amplo do termo. Quem o atravessa é o que vagueia, o estrangeiro, o errante.
No espetáculo «ERRANTE», a cartografia é a do território pessoal, daquele que caminha hesitante, que vacila, que inevitavelmente erra.
Constrói-se uma dramaturgia alicerçada no erro, através de uma dupla faceta de ficção e realidade para a construção de um espetáculo que assume pressupostos de conferência.
«Somos radicalmente sociais e solitários, contraditórios e errantes. O texto cénico, da autoria de Teresa Coutinho, parte de uma reflexão sobre o medo e os desafios de praticar a alteridade, espelhando preconceitos através de uma sucessão de episódios e acontecimentos em torno da dificuldade de aceitarmos o que nos é estrangeiro. Quem é o estrangeiro? Aquele que chega a um lugar novo? Ou aquele que recebe, num lugar novo, quem chega? Não é aos olhos do estrangeiro que chega, aquele que o recebe na sua terra, também um estrangeiro? Não fui eu estrangeiro na minha terra, muitos séculos antes de mim? E quem desenhou as fronteiras da minha terra? E de quem é a terra? Que posso eu a mais que o outro?», lê-se na sinopse.
O processo iniciou-se em julho de 2023 com uma residência de escrita e dramaturgia ILHA ERRANTE, com Teresa Coutinho, cujo trabalho dá especial relevo às questões de género, identidade, poder e à fronteira entre realidade e ficção. É deste encontro em torno da ideia do errante que nos habita, que se esboçou a dramaturgia e a encenação do espetáculo.
Na residência de criação ILHA ERRANTE organizou-se uma masterclasse de escrita criativa, orientada pela autora, cujo material resultante dos exercícios com os participantes da comunidade inspirou a escrita.
Na primeira semana de ensaios, apresentou-se uma leitura e conversa aberta com o público, sobre os temas e o processo criativo.
As residências de criação e ensaios com a equipa de intérpretes, músico e desenhador de luz, realizaram-se nos Antigos Celeiros EPAC de Évora, na Companhia de Dança Contemporânea de Évora, e em O Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo, onde ocorreu a antestreia; estreou e apresentou-se em Évora na sala da d´A Bruxa Teatro, no Cineteatro Louletano através de uma coprodução, em Castelo Branco e circula durante o ano 2024/25.
As reservas podem ser efetuadas através do telefone 289 400 820 ou e-mail ([email protected]).
Os bilhetes podem ser adquiridos online na plataforma BOL.
A Malvada Associação Artística é uma estrutura financiada pela DGArtes com o apoio do município de Évora.
Fotos: José Miguel Soares







