Luís Sequeira apresenta o álbum «Quer Sequeira quer não» no Teatro Lethes, em Faro, inspirado pelo amor e pelo desamor.
O músico Luís Sequeira, em entrevista à agência Lusa, disse que o seu novo álbum, «Quer Sequeira quer não», que apresentado no sábado, dia 20 de junho, no Teatro Lethes, em Faro, «fala sobre o amor e o desamor e as idiossincrasias do amor».
«Quer Sequeira Quer Não» é o segundo álbum do músico de 32 anos, sucedendo a «Ensaio sobre o Sequeira» (2023). À Lusa, o músico reconheceu o sentido «irónico» dos títulos escolhidos.
«Não foi de propósito. É porque é mais um fator chamativo em que o meu nome possa aparecer, desde que seja conectado com o intuito e o conteúdo do disco ou da obra apresentada. Neste caso, Ensaio sobre o Sequeira, foi um jogo de palavras [entre mim] e o produtor do primeiro disco, o meu padrinho musical, Tiago Pais Dias. E o nome do disco veio – veio mesmo – de uma brincadeira», relacionando-se, “de uma forma muito humilde e quase passageira», com a obra de José Saramago, «Ensaio sobre a Cegueira».
“O primeiro disco de qualquer artista, seja ele de que área for, é sempre um tubo de ensaio, é sempre uma área de experimentação: vamos ensaiar aquilo que nos encaixa melhor, a mensagem que queremos transmitir, aquilo que nós somos enquanto artista», explicou o músico.
Quanto ao novo álbum, «Quer Sequeira quer não», o tema transversal é o amor, a sua relevância, quer se queira, quer não.
«Não há como querer viver esse epíteto da existência humana, que, na minha opinião, é o amor. Nada interessa mais do que o amor, nem nos vale. O amor é tudo o que nós temos, seja família, amigos, mas essencialmente o amor que nós temos por alguém […]. Esse é o amor que nos move, que faz canções, quadros, peças de teatro… E, quer se queira quer não, para se tentar viver esse amor em absoluto, tem de se lidar com o lado menos bom da coisa», argumentou.
«Este segundo disco já é muito mais pessoal, mais introspetivo; foquei-me mais em lidar com as minhas emoções, nomeadamente aquilo que o amor me suscita, me faz sentir e que eu experienciei».
«Fala não só de uma viagem pessoal e de experiências pessoais, mas de situações imaginadas, inspiradas em factos de amigos, familiares, em filmes e séries e coisas desse género que me inspiraram a escrever sobre esses temas, sobre essas variações que existem nas relações – relações de circunstância, de opção compulsiva, saudáveis, ou relações entre o tempo e a maneira como nos devemos dedicar uns aos outros para ter proveito daquela que é a nossa maior força, que é o amor e o nosso ponto mais em comum».
Luís Sequeira referiu-se à sonoridade de «Quer Sequeira Quer Não», como «pop rock alternativa, garantidamente e com a maior frontalidade possível».
«Não é pop, porque não é muito mainstream, não é rock porque tem uma vertente pop, e alternativa a 100% também não é. Acho que é uma sopa, uma mescla original mas que tem esses três géneros muito colados. Portanto, se pudesse chamar, era pop rock alternativo».
O músico disse que essa via «não foi de propósito». «Mas nós somos aquilo que ouvimos. E mais a nossa maneira de pensar e sentir, muito baseada naquilo que ouvimos e naquilo por que passamos. Por conversas, opiniões, leituras, seja o que for. E eu tento sempre seguir o meu objetivo principal antes de sequer pensar em que sentido é que se faz; guio-me sempre pelo sentir e pelo arrepio, pelo eriçar do scalp, mesmo atrás da nossa cabeça, porque essas sensações, na palavra francesa, […] é a frisson».
«Ando sempre atrás disso. Se ao fim de uma maquete ou de uma volta a uma música ou a uma ideia não me atingir a nível sentimental e emotivo, não avanço».
Todos os temas do novo álbum, letra e música, são de autoria de Luís Sequeira, tendo o músico sido também o produtor.
«Embora ache que tenha ainda muito a aprender com a nossa literatura e a literatura mundial, talvez me consiga tornar poeta. Não sei se me posso chamar poeta. Uma coisa sei: é que quando canto sinto a reverberação nas outras pessoas e sinto que o meu instrumento é de longe o meu ponto mais forte”.
Sequeira tem bases musicais, nomeadamente de guitarra e no piano. «Depois, a parte da poesia é que ainda estou a trabalhar mais, mas acredito que este Quer Sequeira quer não é mais um passo na direção da minha evolução».
O álbum foi gravado nos estúdios da Malware Soundprod, do baterista David Jerónimo, que Sequeira conheceu quando, em 2014, concorreu ao programa televisivo «The Voice – Portugal», tendo terminado em 2.º lugar.
No álbum, Sequeira gravou as vozes e guitarras e alguns teclados, David Jerónimo, as baterias, Tiago Mourão, o baixo, e Miguel Camilo, algumas guitarras.
Ao vivo, a formação é diferente e inclui Lito Pedreira, ex-Electro, na bateria, Ivan Pedreira, no baixo, Sequeira toca teclados e guitarra elétrica, e Nuno Oliveira, ex-UHF, guitarras e teclados.
Luís Sequeira tem prevista a apresentação do álbum em formato acústico, a solo. «É uma vertente acústica e despida e intimista do disco», disse.
Para o músico, a ligação ao público é essencial: »Sem os outros não existimos. Portanto, se eu quisesse fazer as coisas só para mim, fazia e guardava na gaveta. Como lanço as músicas, quero evidentemente […] deixar a minha melhor obra possível feita. E acredito nisso, porque estas foram as oito canções, as minhas melhores oito canções feitas e criadas desde o meu último disco».
«Quer Sequeira quer não» é apresentado hoje no Espaço Criarte, em Carcavelos, nos arredores de Lisboa.
