Dupla de jovens profissionais propõem treinos com um «paradigma diferente» na zona ribeirinha da cidade, no novo Kaistudio.
Um pequeno ginásio, tipo estúdio, sem montras, gerido por dois jovens experientes na matéria abriu há cerca de três meses na Zona Ribeirinha de Portimão, junto ao Clube Naval.
Francisco Nunes, 26 anos, licenciado em Ciências do Desporto, há sete anos que é treinador de canoagem e, nos últimos cinco, também é monitor de exercícios físicos.
Fábio Palhinha, 31 anos, possui uma licenciatura em Educação Física e Desporto e tem nove anos de experiência na área do desporto, em ginásios.
No entanto, no interior do novo espaço, são poucas as máquinas para musculação. «Tentamos fugir à monotonia que se vive nos ginásios e trazer um tipo de treino diferente do que é habitual em Portimão», explica Fábio Palhinha.
«Vamos de encontro aos objetivos de cada pessoa e mantemos uma proximidade maior com o cliente», acrescenta. Francisco Nunes vai mais longe.
«Queremos atingir diversos segmentos de população e tipos de patologia. O nosso treino é funcional, ou seja, consiste em atividades de ginásio com transferência para as atividades do quotidiano. Por exemplo, uma senhora que trabalha na caixa de um supermercado terá exercícios de rotação na sua preparação física», detalha.
Outro objetivo é proporcionar aos utentes exercícios corretores de más posturas, com frequência, causadas pelas atividades profissionais.
«Quando surgiram os ginásios em Portugal, o conceito era aumentar a massa muscular ou perder peso. Hoje, o paradigma está a mudar. As pessoas já vão relacionando o exercício físico com a saúde. E é essa mais-valia que tentamos dar aqui. Surgiu a ideia de dar treino individual. Depois, de juntar pessoas com necessidades semelhantes e fazer pequenos grupos de treino», esclarece.

«Os nossos exercícios são basicamente funcionais, envolvendo mais músculos do que aqueles que se usam numa máquina. E tentamos individualizar ao máximo, porque cada pessoa tem as suas particularidades e necessidades. E trabalhamos mais grupos musculares em simultâneo», descreve.
O local é privilegiado, porque permite, dependendo do tempo, fazer os exercícios no exterior, com uma vista maravilhosa sobre o Rio Arade, usando uma parafernália de material portátil.
Além disso, a equipa também se desloca ao domicílio. Assim, conseguem trabalhar não apenas com quem tem dificuldade de mobilidade, mas também com pessoas cuja vida ativa deixa pouco tempo livre o ginásio.
Será um novo nicho de mercado? A verdade é que têm tido muita procura, porque «cada vez mais as pessoas se apercebem das vantagens de um treino mais acompanhado e mais personalizado», diz Francisco Nunes.
«O bem-estar não é apenas estar bem fisicamente. É também a parte mental, a parte psicológica e a ligação com os treinadores».
O sucesso obtido em três meses e a vontade de fazer mais e melhor levou Fábio e Francisco a convidar quatro novos elementos a integrar o projeto: uma nutricionista, dois fisioterapeutas e um profissional de exercício físico.
Assim, conseguem uma oferta com uma equipa de diferentes áreas da saúde, conseguem «oferecer mais qualidade. Até temos Pilates clínico, muito diferente do que existe nos ginásios e ministrado por um fisioterapeuta especialista no método».
No futuro, também ponderam oferecer coaching desportivo e colaborar com uma psicóloga desportiva.
Para já, «estamos a enriquecer-nos, porque a nossa ligação ao Clube Naval de Portimão dá-nos a oportunidade de trabalhar também com atletas de diferentes tipos de modalidades, como a vela, canoagem, surf e windsurf, cada uma com a sua especificidade».
No horizonte, segundo Fábio Palhinha, não está fora dos projetos a hipótese de dedicar mais atenção a pessoas com várias dificuldades, como cancro, diabetes e obesidade.