João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve, disse ontem na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) que o número de reservas em carteira para a próxima época é «muito animador», apesar da incerteza devido à guerra na Ucrânia.
O primeiro sinal positivo é que o Aeroporto de Faro vai contar com seis novas rotas e 10 novos serviços no verão 2022, distribuídos por nove países, segundo anunciou ontem João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve, na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL).
«Posso dizer que 88 por cento das ligações a mercados emissores estão asseguradas já para este verão. Dos 23 países para os quais tínhamos ligações, só não vamos ter para a Hungria e, infelizmente, para a Ucrânia. Até tínhamos uma operação bem interessante, mas devido à realidade que todos conhecemos, não é expectável», explicou.
Dos principais países emissores para o Aeroporto de Faro, Reino Unido, Alemanha, Irlanda, França e Países Baixos, estão previstos serviços para 53 destinos para este verão, comparativamente aos 57 servidos em 2019.
Já no que toca aos principais operadores para o Aeroporto de Faro, Ryanair, Easyjet, Jet2.com, Transavia e British Airways no verão de 2022, esperam-se
serviços para 53 destinos. Foram 56 os destinos em igual período de 2019.
«Dos principais mercados emissores, prevemos uma recuperação de 93 por cento das ligações e dos cinco principais operadores, o que significa uma recuperação de 89 por cento das ligações. Temos, no conjunto, seis novas rotas e 10 novos serviços, que são o reforço na frequência das ligações que já existiram, com mais de 260 mil lugares extra», contabilizou.
Para já, «é o que está previsto em carteira e já contratualizado. Como sabem, trabalhamos diretamente com a ANA Aeroportos para captar operadores turísticos e companhias aéreas, num esforço conjunto, que também beneficia muito da notoriedade do destino Algarve, sejamos muito claros», fez questão de frisar.
Fernandes sublinhou que «conseguimos manter a base da Ryanair e trazer ainda a da Easyjet para o Aeroporto de Faro, numa altura em que tudo estava muito conturbado», devido à pandemia.
«Foi uma boa conquista. Isso dá-nos hoje mais flexibilidade. Temos dois operadores que têm a mesma necessidade de ter bom desempenho a partir do destino Algarve. São dois parceiros que fazem um esforço que os beneficia diretamente, porque têm cá bases e toda uma estrutura».
O responsável não esconde, contudo, que «havia a expetativa, e há ainda, de chegarmos a 2023 com patamares de procura semelhantes a 2019. Certo é que hoje estamos com reservas muito elevadas em carteira, por exemplo, no golfe, de março a maio. O mesmo para a Páscoa e para o próximo verão. Mas todos sabemos que há uma nuvem de incerteza que paira sobre a Europa, sobre o mundo, diria, e cujos impactos temos dificuldade em estimar», admitiu.
«Qual vai ser o efeito que terá a guerra, por exemplo, em mercados como a Finlândia que está junto à Rússia? Ou como à Suécia com o seu estatuto neutral muitas vezes posto em causa? Como à Polónia que está muito perto do conflito? Como a Alemanha que, normalmente, o consumidor antecipa as crises económicas e retrai-se no consumo? Haverá desvios de fluxos porque estamos no extremo oposto da Europa em relação ao conflito? Até que ponto vai o aumento dos bens e serviços que são fornecidos à cadeia de valor do turismo? Quão caras ficarão as viagens?», questionou.
Neste momento, sublinhou, «temos um bom nível de procura. Portanto, ainda não são os impactos da guerra aquilo que são os mais significativos».
Para já, a localização geoestratégica do Algarve, no oeste da Europa, ainda não coloca alguma vantagem competitiva em relação à Grécia, países nórdicos e países bálticos, devido ao conflito no leste.
«Ainda não sentimos os desvios de fluxos nesse contexto. Competimos com o Mediterrâneo, mas sentimos que muitos concorrentes como a Turquia e a Grécia estão a enfrentar dificuldades em alguns mercados exatamente pela proximidade com o conflito. Isso, obviamente, é sempre um fator de dissuasão. Mas também não sabemos qual é o impacto económico que esta guerra tem no Mediterrâneo, na Europa, nos nossos mercados emissores, nem de como o consumidor se vai comportar face a um aumento de preços na viagem e na estadia e a uma expetativa de passar por uma nova crise. Portanto, tudo isto ainda é incerto. Agora, o que temos em carteira de reservas é muito animador. Mas também sabemos que com a pandemia as reservas foram flexibilizadas e a possibilidade de cancelamento é hoje mais ágil», acrescentou João Fernandes
«Sejamos muito claros, o primeiro exercício que temos de fazer depois de dois anos que tivemos no período de pandemia, é retomar a atividade. Temos já dois valores certos que conseguimos garantir mesmo em crise: notoriedade do destino em alta e não baixámos, pela primeira vez numa crise, os preços, que é um exercício que temos vindo a fazer e que temos de continuar a fazer: criar mais valor para a região para podermos ter também salários mais interessantes para o sector do turismo».
Sustentabilidade é caminho a seguir
«Logo que consigamos chegar ao patamar de retomar o que perdemos, temos de continuar o exercício da sustentabilidade. Não é um desígnio sob o qual possamos colocar ses, é o fator de competitividade futuro inequívoco. O trabalho que temos vindo a fazer da diversificação da oferta, gerando novas motivações de visita, já deu resultados e tem de ter continuidade», disse ainda, referindo-se aos nichos do turismo de natureza, e a produtos como o cycling and walking, que também contribuem para a notoriedade do Algarve.
Este ano, «a aposta será no turismo industrial e criativo e no próximo teremos novos desafios. Porque felizmente temos muito conteúdo e um território que pode ser visitado ao longo de todo o ano em contacto com os recursos naturais. Temos de explorar essa vantagem, obviamente, com a perspetiva de preservar os nossos valores patrimoniais. Não é apenas o desígnio da sustentabilidade na característica ambiental, é também o de termos uma região, um destino, cada vez mais inteligente, que respeita as necessidades quer do turista, quer do visitante».
Petição pelo regresso do 365 Algarve
A BTL foi também o palco ideal para lançar a ideia de promover uma petição pública a exigir o regresso do programa 365 Algarve.
«Tivemos um programa que claramente deu mostras. Vamos defendê-lo com a voz de todo o Algarve. Tão rápido quanto possível vamos fazer uma petição para todos aqueles que queiram aderir à mesma, que expressa a vontade de voltarmos a ter eventos na época baixa, eventos que estimulam a cultura e que trabalham a nossa identidade. Este vai ser um desafio que vamos propor e estou certo que teremos a adesão de todos», anunciou João Fernandes.
«Temos de aproveitar a oportunidade de o governo estabilizar para poder dizer aos interlocutores certos que o Algarve está unido e quer um novo 365», concluiu.


