Baldé mudou de clube, treinador e cidade em seis meses e conquistou o ouro mundial do comprimento com um salto de 8,46 metros nos Mundiais de atletismo.
Gerson Baldé sagrou-se hoje campeão do mundo do salto em comprimento em pista coberta, em Torun2026, após mudanças profundas na sua carreira nos últimos meses, incluindo clube, treinador e local de treino.
Aos 26 anos, o algarvio natural de Albufeira regressou ao Sporting, depois de seis anos no Benfica. O atleta deixou Lisboa e mudou-se para a Maia, onde passou a ser treinado por José Barros, antigo diretor técnico nacional da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), sucedendo a Mário Aníbal.
Baldé apresentou-se mais confiante e consistente em Torun, muito diferente do atleta que, depois de se qualificar com apenas um salto, fez três nulos na final dos Europeus ao ar livre de Roma2024.
Hoje mostrou frieza para resolver a disputa pelo título mundial apenas na sexta e última tentativa. Saltou 8,46 metros, estabeleceu um novo recorde nacional em pista coberta e conseguiu a melhor marca mundial do ano.
«O professor deixou-me mesmo muito calmo. Gostei da mensagem. Com poucas palavras, pediu para fazer o que treinámos muito bem e agora talvez vá festejar com ele a beber uma taça de vinho», afirmou o novo campeão do mundo.
Baldé assumiu-se também «mais maduro e com objetivos mais altos».
O ouro conquistado pelo atleta português é apenas o segundo título masculino de Portugal em Campeonatos do Mundo em pista curta no salto em comprimento. Antes dele, Carlos Calado tinha alcançado o bronze na edição de Lisboa2001.
O recorde nacional já lhe pertencia, com 8,32 metros obtidos este ano, marca que o colocava no terceiro lugar da lista de inscritos para a competição. À sua frente estavam os 8,39 metros do italiano Mattia Furlani e os 8,45 do búlgaro Bozhidar Sarâboyukov, que terminaram hoje em segundo e terceiro lugares, respetivamente.
«Estar no top três da lista de inscritos deu-me muito mais calma. Não tenho urgência de provar nada a mim mesmo, porque já mostrei o que sou capaz de fazer», afirmou Baldé, na antevisão publicada pela World Athletics.
O seu treinador, José Barros, considera que a mudança para a Maia foi determinante para esta evolução, decisão que surgiu também por sugestão da namorada do atleta, Ana Leite, igualmente atleta, mas na disciplina de salto em altura.
«O Gerson está num ambiente que não era o dele, com menos condições do que as que tinha, mas aprendeu a respeitar e a integrar-se. Não há milagres em cinco meses. Ele tem um talento natural que foi trabalhado anteriormente por pessoas que também estão de parabéns, mas que conseguimos agora potenciar», afirmou José Barros.
O treinador acrescentou que a confiança demonstrada pelo atleta resulta diretamente do trabalho realizado.
«Eu disse-lhe para dominar a competição, que era a prova dele e tinha de se adaptar. O que quis foi que replicasse aqui o trabalho feito nos últimos cinco meses», explicou.
José Barros acrescentou ainda que Baldé pode ter sido o único finalista sem acesso a uma pista coberta para treinar.
O português garantiu o título mundial com um salto de 8,46 metros na sexta e última tentativa da final, ultrapassando Mattia Furlani, que terminou com 8,39 metros, e Bozhidar Sarâboyukov, terceiro classificado, com 8,31.
Depois do quarto lugar nos Europeus em pista coberta de Apeldoorn2025, o atleta do Sporting alcançou agora a medalha de ouro com a melhor marca mundial do ano.
Portugal alcançou também um marco histórico nesta edição dos Mundiais em pista coberta ao conquistar três medalhas: dois ouros, com Gerson Baldé e Agate de Sousa no salto em comprimento, e uma prata de Isaac Nader nos 1.500 metros.
Com estes resultados, o histórico português em Campeonatos do Mundo em pista coberta sobe para 20 medalhas, sete das quais de ouro.
Foto: Federação Portuguesa de Atletismo/Sportmedia