O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou hoje as previsões para a economia do Reino Unido, que está a recuperar «mais rapidamente do que o esperado», mas alertou para «escolhas difíceis» no horizonte para estabilizar a dívida pública.
«Com o crescimento a recuperar mais rapidamente do que o esperado, a economia do Reino Unido está a caminhar para uma aterragem suave, após uma ligeira recessão técnica em 2023», afirmou o FMI num relatório.
Prevê-se agora que o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido cresça 0,7 por cento no conjunto de 2024, contra a estimativa de 0,5 por cento das projeções publicadas em abril.
De acordo com os dados oficiais do Reino Unido publicados no início de maio, o país registou um crescimento do PIB de 0,6 por cento nos primeiros três meses do ano.
Depois de ter atingido um pico de mais de 11 por cento no final de 2022, a inflação no Reino Unido «caiu mais rapidamente do que o esperado no ano passado e deverá regressar de forma sustentável no início de 2025» ao objetivo de 2 por cento do Banco de Inglaterra, continua o FMI.
O FMI prevê que o PIB cresça 1,5 por cento em 2025, uma vez que a descida da inflação favorece o poder de compra e as condições financeiras são mais flexíveis.
A poucos meses das eleições nacionais, em que o seu partido deverá perder para o Partido Trabalhista, na oposição, o ministro das Finanças conservador, Jeremy Hunt, congratulou-se hoje com um relatório que «mostra claramente (…) que a economia britânica registou progressos significativos».
No entanto, «terão de ser feitas escolhas difíceis a médio prazo para estabilizar a dívida pública, dadas as pressões significativas sobre os serviços públicos e as necessidades críticas de investimento», advertiu o FMI.
O Fundo sugeriu, nomeadamente, o aumento das receitas fiscais, a contenção das despesas e a melhoria da eficiência dos serviços públicos.
Hunt, que reduziu as contribuições para a segurança social por duas vezes nos últimos meses, prometeu reduções fiscais na sexta-feira se os conservadores continuarem no poder no próximo parlamento.
Hoje, o FMI «desaconselhou» quaisquer «reduções adicionais de impostos, a menos que promovam de forma credível o crescimento e sejam devidamente compensadas por medidas cuidadosas de redução do défice».
A instituição internacional aconselha «reformas estruturais ambiciosas», enquanto as perspectivas de longo prazo do Reino Unido continuam a ser penalizadas pela «baixa produtividade do trabalho e níveis de inatividade ligeiramente superiores aos previstos devido a doenças prolongadas».
As autoridades britânicas devem também «manter o rumo da política climática», segundo o FMI, que sublinha que as políticas e as despesas atualmente previstas serão insuficientes para atingir os objetivos do país.
Foto: Bruno Filipe Pires