O secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), Mário Mourão, está hoje em Faro numa visita de trabalho, tendo estado uma reunião com o presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve, Tiago Botelho.
Aos jornalistas, no final do encontro, Mourão descreveu a reunião como «muito importante. A UGT ficou com uma percepção daquilo que é a importância fundamental deste sector, muitas vezes incompreendida. É preciso motivar, salarialmente, os técnicos e os profissionais».
O dirigente destacou o problema transversal da fixação de talentos, sobretudo entre os mais qualificados. «O Estado investe fortunas», na educação, «mas depois não conseguimos responder às expectativas desses jovens, que são obrigados a procurar outras geografias para obterem salários condignos com a sua formação», sublinhou.
Mourão defendeu que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) precisa de um «pacto» nacional, lamentando, porém, que «falta vontade» para o realizar. Sugeriu «que se ouvisse mais os profissionais de saúde e se falasse muito menos» até porque, «muitas vezes, não sabemos sequer o que é que se passa neste sector tão fundamental para todos».
Questionado acerca dos desafios específicos do Algarve, o sindicalista destacou o impacto do aumento da população durante o verão, que duplica o número de utentes nas várias valências do SNS. «Esta ULS tem uma dimensão vasta em termos de território. Com tantos problemas que tem, é preciso fazermos uma discussão séria que a UGT vai levar à concertação social», prometeu.

Mourão apelou também à ministra da Saúde, Ana Paula Martins. «Está ao alcance do governo e dos agentes políticos encontrar as respostas para os problemas do SNS», desafiou.
Ainda em relação ao Algarve, lembrou que o Mestrado Integrado de Medicina na Universidade do Algarve foi criado para fixar profissionais na região, mas questionou a sua eficácia. «Com os salários atuais, como conseguimos reter profissionais? A valorização é deficitária em Portugal», alertou.
Além das questões da renumeração, o dirigente da UGT sugeriu que é preciso dar melhores condições de trabalho, formação contínua e equilíbrio entre vida pessoal e profissional a quem trabalha no SNS. «A saúde é um sector fundamental e tem de estar inserida no esforço que o país precisa de fazer para inverter os baixos salários e os anos de atraso» em relação à União Europeia.
«É preciso dar vínculo e confiança para que estes profissionais se sintam realizados e possam estar mais motivados para dar resposta aos portugueses e a quem nos escolheu para trabalhar e para dar o seu contributo, para que possamos ter um país melhor», concluiu.
O bancário socialista Mário Mourão assumiu a liderança da UGT em abril de 2022, depois de um percurso politico-sindical de mais de 30 anos.
Esta tarde, visita a Escola EB 2,3 do Montenegro, onde o diretor David Costa apresentará o «Projecto Inclusão». O programa termina na nova sede da UGT Algarve, na qual se segue uma reunião com o secretariado distrital, às 17h30.
Além de Mário Mourão, a comitiva da UGT trouxe à capital algarvia outros membros da direção, a presidente Lucinda Dâmaso e os secretários executivos Graça Patrício e João Moreira.