O movimento Porta a Porta mobilizou em Faro cerca de quatro dezenas de pessoas que se manifestaram pelo direito à habitação, exigindo uma casa para todos, numa região com muitos problemas no sector.
«Não podemos permitir que o problema se agrave mais, se é urgente baixar as rendas regulando e fixando o seu preço, é igualmente urgente que os contratos em vigor e os novos contratos tenham uma duração mínima de 10 anos», disse a porta-voz no Algarve do movimento Porta a Porta, Ana Tarrafal, numa intervenção que fez em frente ao mercado municipal de Faro, na manhã de sábado, dia 28 de junho.
A manifestação na capital algarvia foi a primeira de muitas que, ao longo do dia, se vão realizar em várias cidades do país.
Para Ana Tarrafal, «não se pode permitir que o problema se agrave mais e por isso é preciso pôr fim a todas as formas de despejo sem alternativa de habitação digna e mobilizar todos os devolutos, públicos e privados».
Durante o encontro foram gritadas várias palavras de ordem, como: «Abril, exige casa para viver» , «A paz o pão saúde habitação, cumprir a Constituição», «Exigimos diminuir já a taxa de juro e pôr os bancos a pagar», entre outras.
«Não nos vão parar, o que vivemos não se pode mais tolerar. Vamos para uma nova fase de luta, de combate, de confronto pelo direito de todos aqueles que, vivendo e trabalhando no nosso país, precisam de casa para viver», reclamou Ana Tarrafal debaixo do sol algarvio e com uma temperatura que já ultrapassava os 30º C a meio da manhã.
O movimento Porta a Porta apresentou também um Caderno Reivindicativo de Emergência para o problema da falta de habitação, com doze pontos.
Entre esses pontos estão os pedidos para se «baixar as rendas: regulando e fixando o preço», «10 anos de duração mínima nos contratos de arrendamento (novos e em vigor)», mobilizar todas as casas vazias para o arrendamento (excluídas as casas dos emigrantes e de segunda habitação).
Os manifestantes querem ainda «proibir novas licenças para todos os tipos de alojamento turísticos em zonas de pressão e carência habitacional, com revisão imediata das licenças em vigor e mobilização das mesmas para arrendamento de longa duração a preço regulado» e o «fim imediato dos benefícios fiscais que facilitam a especulação imobiliária».
No final da manifestação foi votada e aprovada por unanimidade dos presentes uma moção com o título «Ocupar as ruas para que estas não virem o nosso teto! Pela Aplicação do Caderno Reivindicativo de Emergência para a Habitação».
«O Governo e a maioria de direita que saiu das eleições legislativas hostilizam todos aqueles que, vivendo e trabalhando no nosso país, precisam de casa para viver!», começa por afirmar o texto da moção.
O documento termina com a constatação de que «está pior ter casa para viver», exigindo os presentes «soluções para agora» pelo direito à habitação em Portugal.