Obra de Luís Palma (Porto, 1960) retoma o ciclo de arte contemporânea Reset 23/24, com curadoria da Artadentro, no Museu Municipal de Faro. Inauguração é quinta-feira, dia 15 de agosto, às 17h30.
É com a obra de Luís Palma (Porto, 1960) que retomamos o ciclo de arte contemporânea Reset 23/24, com curadoria da Artadentro em colaboração com o Museu Municipal de Faro. Luís Palma tem a fotografia como sua principal forma de expressão artística. Frequentou o curso superior de fotografia da ESAP, no Porto e a sua obra tem sido divulgada em numerosas edições monográficas e exposições em Portugal e no estrangeiro.
Vinte e cinco palavras ou menos
O título deste projeto foi inspirado na ideia de Iggy Pop para a criação das letras dos Stooges[1]. Ocorreu-me durante a produção de um conjunto de fotografias de grande formato, tiradas no interior de uma roulote que servia de morada a um músico. Nesse espaço exíguo este ensaiava músicas do tempo em que tocava bateria em bandas de covers. Apresentei este projeto pela primeira vez na exposição coletiva We Want Electricity, na Galeria Pedro Oliveira, em 2021.
Além dessas fotografias a cores, incluí um conjunto de imagens mais antigas a preto-e-branco e também uma pequena instalação onde, numa mesa com tampo de vidro, expus uma fotografia que tirei ao Joe Strummer nos bastidores de um concerto dos Clash, em 1981, a baqueta partida do baterista Topper Headon e uma fotografia de um soldado em Cabinda a tocar guitarra, sentado no amplificador do próprio instrumento, pousada numa das páginas do livro Nixon e Caetano: Promessas e Abandono, acompanhada, na página oposta, por duas imagens: uma do Capitão Salgueiro Maia e outra do Major Otelo Saraiva de Carvalho.
Na associação dessas fotografias e desses objetos revejo o tempo em que se cruzaram as narrativas políticas da Revolução de Abril de 1974 e o fim da Guerra Colonial, por um lado, e, por outro, o imaginário da estrada da Beat Generation e a poética pós-punk, utopia – por não querer nem governo nem Estado – que a Liberdade tornava agora acessível a uma juventude inconformada com o passado ligado a uma sociedade autoritária e ao preconceito social de que nos fala o filme «Verão Escaldante».
Ainda longe de imaginar a relação que este projeto teria com o filme de Spike Lee, estabeleci no início da década de 1990 uma colaboração com transexuais e jovens com Sida para realizar uma série de retratos de estúdio que esta série igualmente documenta. O confronto entre o disco sound e o movimento punk, a transexualidade e o aparecimento do síndroma de Kaposi testemunha os vícios de uma geração posterior ao tempo em que o gesto de resistência assumia uma importância incomparável para afirmar a suspeita de existir, teimando no improviso e contornando a censura na clandestinidade.
A exposição Vinte e cinco palavras ou menos inaugura na quinta-feira, dia 15 de agosto às 17h30 e ficará patente até 15 de setembro no Museu Municipal de Faro.
Pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 10h00 às 17h30 e ao sábado e domingo das 10h30 às 16h30.