Mostra da Fundação Manuel Viegas Guerreiro cruza crochet tradicional e criação contemporânea, envolvendo a comunidade de Querença num projeto participativo.
A Fundação Manuel Viegas Guerreiro inaugura amanhã, às 16h00, em Querença, a exposição «Fios da Memória: do crochet cotidiano tradicional ao artístico contemporâneo», uma mostra que cruza saberes tradicionais e criação artística contemporânea a partir do trabalho desenvolvido com a comunidade local.
A exposição, patente no edifício-sede da Fundação, reúne peças de artesanato recolhidas nas casas dos residentes de Querença, dando a conhecer memórias, práticas e património do barrocal e da serra algarvios. O projeto resulta de um processo colaborativo entre a Fundação e a população da aldeia do concelho de Loulé.
«Desde sempre que os fios são expressão de metodologia, união e ligação. O crochet integra o universo dos saberes tradicionais transmitidos, sobretudo no espaço doméstico», sublinha Ana Poeta, colaboradora da Fundação.
Segundo a responsável, as peças reunidas «revelam práticas, ritmos, memórias e estéticas do quotidiano tradicional de Querença», dialogando com os estudos desenvolvidos pelo patrono da Fundação, o professor Manuel Viegas Guerreiro.
A mostra resulta do projeto artístico participativo «Ponto a Ponto», desenvolvido ao longo de 2025 e enquadrado no FLIQ – Festival Literário Internacional de Querença.
A iniciativa esteve na base de uma das homenagens à escritora Lídia Jorge, que recebeu, em setembro, uma manta comunitária tecida em itinerância pelas casas da aldeia.
O projeto contou com o apoio do programa «Ideias a Atos», uma iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II e da Fundação Calouste Gulbenkian, integrando um conjunto de sete microprojetos desenvolvidos no município de Loulé.
Os encontros entre os participantes prolongaram-se para além do FLIQ, dando origem à criação de novas mantas de rosetas, que serão colocadas à venda durante a Festa em Honra de São Luís, conhecida como Festa das Chouriças, marcada para 1 de fevereiro.
As verbas angariadas revertem a favor da Associação Bem Estar dos Amigos de Querença, entidade que gere o lar de idosos da aldeia.
Para o presidente da Fundação, João Silva Miguel, juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça e natural de Querença, o projeto reforça a ligação entre comunidade, memória e criação coletiva.
«É para nós um motivo de grande satisfação constatar não só o impacto no bem-estar das pessoas envolvidas, mas também as possibilidades que nascem destes encontros», afirmou.
A exposição Fios da Memória: do crochet cotidiano tradicional ao artístico contemporâneo tem entrada livre, destina-se a todos os públicos e conta com o apoio da Câmara Municipal de Loulé e da Junta de Freguesia de Querença.

