Teve lugar hoje o lançamento de uma campanha levada a cabo pelos empresários que fazem parte dos seis grupos algarvios do Business Networking International (BNI Algarve), na 425ª reunião do BNI Sinergia.
Esta é uma ação regional de divulgação do número nacional de emergência para apoio às vítimas de violência doméstica, no âmbito do Dia Internacional da Luta Contra a Violência Sobre as Mulheres, que se celebra a 25 de Novembro.
A campanha que o BNI agora apresenta é simples. Os cerca de 200 empresários de todo o Algarve irão distribuir, nas suas lojas, junto dos seus clientes e fornecedores, um panfleto informativo com o nº 800 202 148 e informação útil de apoio às vítimas deste crime público. Recorde-se que no Algarve existem grupos BNI em Faro, Vilamoura, Lagoa, Portimão e Lagos.
Margarida Flores, diretora do Centro Regional da Segurança Social de Faro, convidada especial desta reunião, teve a oportunidade de saudar a iniciativa, acrescentando que «para além das múltiplas formas de violência, o Algarve está sinalizado como sendo um dos distritos com maior número de casos de mutilação genital feminina – uma forma de violência culturalmente aceite exercida de mulheres sobre mulheres em crianças que não têm como se defender».
Atendendo ao facto da violência doméstica ser um crime público, o Centro Distrital da Segurança Social de Faro celebrou, recentemente, protocolos para a Territorialização da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica, nomeadamente, com a TAIPA (abrangendo os concelhos de Aljezur, Lagos, Monchique e Vila do Bispo) e com a APAV (abrangendo os concelhos de Albufeira, Alcoutim, Castro Marim, Faro, Lagoa, Loulé, Olhão, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António) e, ainda, um Protocolo Cooperação Institucional no âmbito de Violência Doméstica por iniciativa do Ministério Público.
Para Margarida Flores, «o mais importante é percebermos os perfis tanto do agressor como da vítima e, nesse sentido, temos que repensar como educamos os nossos filhos num país em que ainda se diz entre homem e mulher não metas a colher, pois este tipo de crimes face à Lei, são públicos».
Em 2008, foram contabilizados 46 casos de homicídio de mulheres, valor que ultrapassa os casos registados em 2004 (40 homicídios).
Nos primeiros cinco meses de 2009, 10 mulheres tinham sido assassinadas (uma média de duas por mês). No início de Outubro do presente ano, já faleceram 29 mulheres, o que perfaz uma média de três mulheres por mês – dados que revelam uma «regressão preocupante», comenta em nota de imprensa Orlando Caixeirinho, director executivo do BNI Algarve.
O dirigente reitera que «é muito importante e necessária a divulgação do número nacional de apoio às vítimas de violência doméstica, uma tarefa da qual ninguém se deve demitir e pela qual todos devem pugnar, pois o número é nacional, gratuito, confidencial e a ele todos podem recorrer – homens, mulheres, jovens, crianças e idosos. Sabemos que há muitas formas de violência sobre as pessoas, mas é preocupante que os números de homicídios sempre em crescente seja o das mulheres».
Orlando Caixeirinho coloca a tónica de que «a violência doméstica é um crime público, pelo que qualquer um pode fazer a denúncia. Neste sentido, o panfleto que o BNI está a distribuir apresenta, de forma sucinta, os passos a serem dados para que a denúncia seja efetuada de forma adequada».