A Formação Avançada em Artes performativas da DeVIR/CAPa decorre entre Faro e Andaluzia entre janeiro e julho de 2026. As candidaturas já estão abertas.
A primeira edição da Formação Avançada em Artes Performativas, Teatro e Dança «encontros do DeVIR» vai decorrer entre 26 de janeiro e 24 de julho de 2026, no CAPa – Centro de Artes Performativas do Algarve, em Faro, e noutros espaços culturais do Algarve e da Andaluzia.
«Este é um curso que propõe que as pessoas tenham contato com intérpretes e criadores profissionais destacados a nível nacional e internacional e percursos com bastante relevância», começa por explicar José Laginha, diretor artístico daquela estrutura.
Trata-se de «uma oportunidade para quem esteja em início de percurso, ou até mesmo para quem o queira reformular, e aprender com pessoas que podem passar informações acerca do que é o seu trabalho, de uma forma prática».
O curso arranca com um total de 16 vagas disponíveis. Destina-se a quem tenha formação ou experiência em dança, teatro ou performance. Contempla 660 horas, distribuídas ao longo de seis meses, «num programa modular e compacto».
Por exemplo, será pedido aos formadores «que façam um balanço retrospectivo e prospetivo daquilo que é a sua carreira. Irão escolher dois ou três objetos artísticos que considerem significantes e partilhar essas experiências, ao nível dos processos criativos, das dificuldades e como as conseguiram superar».
Cada módulo será composto por workshops (dança e teatro) e um momento de investigação, no qual os formandos serão desafiados a construir «um solo, partindo das obras analisadas».
Em julho de 2026, está previsto um período de residência dos formandos, do qual surgirão dois espetáculos.
«Irão desenvolver duetos ou trios, peças curtas, que, somadas, irão constituir» dois espetáculos a apresentar no Cineteatro Louletano e no Teatro das Figuras, em Faro.
Há ainda a possibilidade de alguns dos formandos virem a integrar uma companhia de projeto, com remuneração, ao lado de intérpretes profissionais. Pretende-se desenvolver uma nova criação, com direção artística a cargo de um encenador ou coreógrafo convidado, que estreará em novembro de 2026.
No quadro de formadores, para já, estão confirmados Albano Jerónimo, André e. Teodósio, André Lepecki, Cláudia Lucas Chéu, Connor Scott, Dora Bernardo, Erna Omarsdottïr, Ezequiel Santos, Florencia Demestri, Francisco Camacho, Francisco Frazão, Ivo Canelas, José Maria Vieira Mendes, Miguel Honrado, Miguel Loureiro, Mónica Calle, Pedro Barreiro, Pedro Penim, Rita Blanco, Rui Horta, Samuel Lefeuvre, Simon Mayer, Sofia Dias, Tereza Lenerová, Vera Mantero e Vítor Roriz, entre outros.
Formadores terão «cúmplices»
Ao longo da formação, «além da parte prática, pretendemos que haja uma componente teórica, que será dada por aquilo que nós chamamos de cúmplices», explica José Laginha.
«Cada um dos formadores irá selecionar um cúmplice, que pode ser um crítico ou um investigador, e que dará um ponto de vista exterior. Como se fossem aulas de história de arte contemporânea», em formato online.
Por exemplo, Vera Mantero terá como cúmplice André Lepecki, investigador de dança contemporânea na Universidade de Nova Iorque, que «tem um olhar crítico e informado acerca da obra» da bailarina e coreógrafa portuguesa.
Candidaturas abertas até novembro
As candidaturas estão abertas até 10 de novembro, em duas fases de seleção e podem ser formalizadas no site do CAPa.
«Os interessados não têm de se deslocar a Faro. Faremos audições online, nas quais pedimos aos candidatos para nos enviar materiais que servirão de base para a seleção», seguidas de uma entrevista.
«Estamos dispostos a acolher formandos de outras nacionalidades e do resto do país», acrescenta Laginha.
Questionado sobre os custos, o responsável revela que estão previstas bolsas de estudo que podem chegar a cobrir 70% do valor» da formação.
«Além disso, temos bolsas de apoio a alojamento. Ou seja, algumas destas pessoas, caso se justifique, poderão ser alojadas na zona de residências do CAPa».
Não sendo uma estrutura de formação acreditada, Laginha diz que «tentámos fazer este curso em parceria com a Universidade do Algarve. No entanto, não foi possível porque a oferta que disponibiliza nesta área tem um perfil completamente diferente daquilo que pretendemos».
«Há outras vias para se chegar ao conhecimento. O que queremos dar é uma formação prática que seja útil e cujo valor seja a qualidade que se impõe».
Comunidade de programadores e público
Em paralelo a esta iniciativa, será apresentada uma programação de espetáculos da autoria dos formadores, em parceria com teatros da região algarvia e da Andaluzia.
Cada apresentação será acompanhada por momentos de diálogo com o público e os participantes da formação. Haverá também ações dirigidas a equipas dos teatros e membros de uma comunidade de espectadores em construção.
«Vamos facultar as aulas teóricas e permitir que sejam abertas» aos as programadores e equipas dos teatros do Algarve e, também a alguns espetadores assíduos que serão convidados a formar uma comunidade», explica José Laginha.
Além disso, «os programadores regionais terão uma formação específica, dada por um conjunto de programadores nacionais e de Espanha, de salas de espetáculo muito conhecidas» Será online e aberta ao grupo de público selecionado.
Laginha recorda que a primeira incursão do DeVIR/CApa na formação foi em 2010, «quando fizemos o Valados, um programa com outro formato e objetivos comuns. Esta é a única região do país que não tem formação avançada em teatro e dança. E, portanto, nesse sentido, aquilo que eu pensava na altura é exatamente aquilo que penso hoje. Queremos que isto seja parte de uma estratégia de alteração daquilo que se passa nestas duas áreas no Algarve», conclui.
Esta iniciativa tem o apoio da Direção-Geral das Artes, no âmbito do Programa de Apoio Sustentado, e conta com a coprodução das Câmaras Municipais de Faro e Loulé.
