As novas residências da Universidade do Algarve (UAlg) começam a ser construídas em agosto, anunciou o Reitor Paulo Águas.
O anúncio foi feito por Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve (UAlg), na inauguração das duas residências do Ferragial, após obras de remodelação, na presença de Elvira Fortunato, ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, na terça-feira, dia 19 de março.
«Queremos ter mais estudantes e finalmente teremos as condições que nos vão permitir ter mais alojamentos. Vamos dar mais conforto com a construção de duas novas residências, que prevemos iniciar as obras já na segunda quinzena de agosto. A revisão do projeto de arquitetura está marcada para maio, o concurso será lançado em junho e, se tudo correr bem, estimamos iniciar a obra em agosto. Na nova residência do Campus de Gambelas teremos 162 camas e no Campus da Penha 125. Pretendemos que estas duas obras sejam feitas em simultâneo e que estejam concluídas em dezembro de 2025», disse o magnífico.
A informação foi avançada durante a visita às renovadas residências do Ferragial, lotes 16 e 17, na rua Dona Teresa Ramalho Ortigão, após trabalhos de requalificação iniciados em junho último, num investimento que ultrapassou um milhão de euros, financiado em grande parte pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e inseridos no Plano Nacional para o Alojamento do Ensino Superior (PNAES).
À semelhança do que aconteceu na inauguração da residência do Lote E, após remodelação, em janeiro, Elvira Fortunato, marcou presença na cerimónia, tendo sido recebida com uma apresentação por parte do magnífico, que aproveitou o momento para dar nota da realidade na academia algarvia.
«De 2015 até este ano letivo de 2023/2024 temos vindo a registar um aumento de estudantes. Passámos de quase 7.000 para 9.500 só em Faro. Em Portimão, temos mais 450. O número de candidatos a bolsa de estudo também tem vindo a aumentar. Nos últimos dois anos tivemos 2.500 candidaturas que resultaram em 1.900 bolsas, quando em 2015 tínhamos 1.200. Além destes temos os estudantes que são candidatos a alojamento e que não são bolseiros, mas que havendo camas disponíveis, também têm acesso. Temos, neste momento, cerca de 500 e poucas camas e as taxas de ocupação estão praticamente nos 100 por cento», detalhou Paulo Águas.
Na prática, dos oito contratos formalizados, três requalificações estão concluídas e inauguradas, num investimento total de 3,5 milhões de euros. No ano passado «tentámos lançar mais duas empreitadas, mas os concursos ficaram desertos. Assim, pela frente temos mais três renovações e com a experiência deste ano, não as vamos realizar em simultâneo porque isso causa maiores constrangimentos e redução da oferta num determinado período», disse.
O magnífico referia-se à remodelação do Lote O, nas Gambelas, «prevista iniciar em janeiro de 2025 e a terminar em agosto», à renovação da residência na Rua de Berlim, com previsão de início a 15 de setembro próximo e conclusão em fevereiro de 2025, e ao alojamento inserido no Campus da Penha, «que já tem obra adjudicada», com o arranque previsto para 15 de maio e «que pretendemos que esteja concluída já no próximo ano letivo», apontou.
Paulo Águas quis ainda, «em jeito de despedida», deixar uma «palavra de apreço» a Elvira Fortunato e Pedro Nuno Teixeira, secretário de Estado do Ensino Superior, pela «enorme disponibilidade para tentar resolver problemas» ao longo dos últimos dois anos.
«Não estou totalmente de acordo em tudo, como sabem. Há economias de escola na forma de financiamento que estão ausentes e temos que melhorar isso. Da tutela sentimos sempre uma enorme disponibilidade para melhorarmos a ciência e o ensino superior e para darmos melhores condições aos nossos estudantes. Hoje, e também com esforço nosso, a UAlg está mais forte que há uns anos», concluiu.
Residências são um dos melhores «legados» que este governo deixa
Elvira Fortunato afirmou que é «com sentimento de concretização que faço parte de mais estas duas inaugurações, de um conjunto de investimento de oito residências que esta instituição viu aprovadas na primeira fase. Parte do PRR já está concluído e agora depende das instituições e do novo inquilino fazer com que isto não pare. Acima de tudo, há coisas muito mais importantes que a própria cor política e realmente temos uma necessidade muito grande de ter mais camas e camas com qualidade».
«Hoje em dia, acho que é um marco diferenciador termos a capacidade de dar aos nossos alunos, principalmente os deslocados, condições de qualidade em que possam estar. Estas residências estão incluídas na primeira fase do PNAES, cuja dotação total ronda os 526 milhões de euros, ainda sem a parte do reforço, e que permite a intervenção em 18 mil camas. Possibilitará que entre 2021 e 2026 passemos de 157 para 243 residências e de 15.073 para 26.772 camas», deu nota, acrescentando que se trata do «maior investimento de sempre em alojamento estudantil» em Portugal.
Nas palavras da ministra, «o problema do alojamento estudantil é o principal constrangimento financeiro à frequência do ensino superior e importa manter a centralidade do investimento nesta área e preparar as condições para avançar rapidamente com a concretização de novos projetos. Cada estudante de cada família tem de sentir que pode sonhar com um curso superior, sabendo que terá todas as condições para se candidatar, ingressar e concluir essa formação», disse.
A primeira fase do PNAES já permitiu a disponibilização de mais de 773 camas face ao início do presente ano letivo, sendo que até 2026 está previsto, no total, a construção de 33 novas residências e a reabilitação de 98 edifícios.
«Julgo poder afirmar que este é um dos melhores legados que este governo nos vai deixar e em especial aos jovens e estudantes universitários. Termino estes dois anos com o símbolo do concluído. Sou engenheira, gosto de fazer coisas e deu-me um prazer muito grande acompanhar este processo, desde o lançamento das primeiras pedras, as obras e as inaugurações. É um gosto muito grande quando chegamos ao fim e vemos os projetos concluídos. O que costumo dizer é que isto funciona e está feito», sustentou a governante aos jornalistas.







