Os enfermeiros da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve convocam greve para os dias 22 e 23 de agosto para exigir melhores condições laborais, remuneratórias ou de horários, anunciou o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).
A paralisação está marcada para os períodos da manhã e tarde, no primeiro dia, para os hospitais de Faro, Portimão e Lagos, Serviços de Urgência Básica (Albufeira, Loulé e Vila Real de Santo António), Centro de Medicina e Reabilitação do Sul e Unidade Convalescença de Loulé, e, no segundo dia, para os cuidados de saúde primários, precisou o SEP num comunicado.
«Os adiamentos nas soluções e o agravamento das condições de trabalho continuam a ser responsáveis pelo aumento dos pedidos de exoneração e do absentismo, nomeadamente por degradação das condições físicas e psíquicas dos enfermeiros», lamentou o sindicato, considerando que há problemas antigos «por resolver» e que «outros, novos, não têm solução à vista».
Entre os problemas que o SEP exige serem resolvidos pela Unidade Local de Saúde do Algarve estão as «horas em dívida», com o sindicato a pedir o «pagamento na base do cálculo de duas vezes o valor hora do trabalho extraordinário do regime de 35 horas, ou seja, 200 por cento», assim como a necessidade de se proceder a «concursos para enfermeiro especialista e enfermeiro gestor» que permitam colmatar também a saída de profissionais que se aposentaram.
O regulamento de horários também está entre as reivindicações da estrutura sindical, que classifica como «inaceitável a imposição do horário de 12 horas, ilegais, nomeadamente nos serviços de urgência e serviços de urgência básica», com o argumento de que é necessário respeitar períodos de descanso dos profissionais, quando «faltam 1.000 enfermeiros» na ULS algarvia, criticou.
As progressões nas carreiras e o pagamento de retroativos, a dívida a enfermeiros que realizaram trabalho extraordinário no âmbito da pandemia COVID-19 ou a «falta de material e fármacos, nomeadamente vacinas, nos cuidados de saúde primários», são outras das matérias que o SEP quer ver resolvidas pela administração da ULS do Algarve.
É também necessário, segundo o sindicato, fazer o «pagamento de incentivos nas unidades de saúde familiar modelo B» e «a admissão de mais enfermeiros» nas unidades de saúde familiar modelo B.
«Quantos mais enfermeiros terão que sair para que a ULS pague retroativos, pague dívidas, não use e abuse do trabalho extraordinário, permitindo que os enfermeiros possam organizar a sua vida pessoal e profissional, e valorize e respeite os enfermeiros», questionou o SEP.
A falta de resposta às reivindicações dos profissionais, a degradação das condições de trabalho e a insuficiência do número de enfermeiros está a dificultar cada vez mais o trabalho dos profissionais de enfermagem no Algarve, conclui.
Foto: João Lázaro