Poder-se-ia pensar que estórias de «buracos», só na banca, ilustrativas das «elites» gestionárias da dita, a merecerem os altos ordenados e prémios que lhes são conhecidos. Mas não, há, também, as de outros «buracos», como o que a seguir tomo a liberdade de descrever: numa das ruas de acesso à zona em que resido, surgiu, tempos atrás, um pequeno buraco, que uma ou duas pás de alcatrão teriam tapado.
Procurando ser um bom munícipe, preocupado com o património público suportado com os impostos e taxas de todos nós (ou melhor, por todos os cumpridores das suas obrigações fiscais), tratei de alertar, inclusive com junção de fotos, quem de direito, ou seja, a respetiva autarquia, para tal facto.
Não esperando, no dia do município, ser recompensado com uma qualquer medalha pela minha conduta cívica, que isso será para feitos tidos como mais nobres, tipo, sei lá, «promotor de jantares de caridade em casinos para compra de cadeiras de rodas a desgraçadinhos na época natalícia», esperava, contudo, ver o buraco em causa desaparecer. Mas não, não só continua lá, como, entretanto, se foi expandindo de tal maneira, que, agora, já não bastam as tais uma ou duas pás de alcatrão para o tapar, mas necessita de um tapete de alcatrão de vários metros quadrados para ser coberto!
A custar, naturalmente, mais dinheiro ao erário público! E é assim, de «buraco» em «buraco», que o país se encontra mergulhado no enorme «buracão» que é conhecido! Entretanto, resta-me a esperança que, caminhando-se para eleições autárquicas, o buraco, finalmente, acabe por deixar de o ser (lamentando, apenas, não haver eleições todos os dias, tal como todos os dias deveria ser Natal).