PRO.VAR – Associação Nacional de Restaurantes considerou hoje que as medidas anunciadas pelo Governo de controlo da pandemia são «mais uma oportunidade perdida» e avisou que sem apoios a fundo perdido mais empresas poderão encerrar.
«É mais uma oportunidade perdida pelo facto de não ter aproveitado o momento para apresentar as medidas de compensação que o setor da restauração precisa», refere a associação em comunicado tornado público nesta sexta-feira, dia 7 de janeiro.
O primeiro-ministro, António Costa, anunciou ontem, quinta-feira, que o acesso a restaurantes e estabelecimentos hoteleiros vai continuar a estar sujeito à apresentação de um certificado digital.
Este certificado digital – na modalidade de teste negativo ou de esquema vacinal completo, sendo este considerado para quem tem a dose de reforço há mais de 14 dias – será ainda exigido para o acesso a espetáculos culturais, eventos com lugares marcados e ginásios.
Embora as medidas venham ao encontro do que a PRO.VAR apresentou, conferindo «alguma esperança para o futuro», a associação considera que a «questão do teste ou do certificado digital não é relevante», uma vez que «a maioria dos portugueses até estão familiarizados com esta prática e naturalmente não será isso que os vai impedir de frequentar os espaços de restauração».
No caso dos restaurantes, o problema prende-se sim com o teletrabalho obrigatório, acrescenta.
«Ironia do destino, o setor que não pode fazer teletrabalho, continua a ser vítima dele, fazendo a maioria dos portugueses, as suas refeições, nas suas residências. Estimamos que até ao dia 14 de janeiro iremos ter perdas elevadas nos restaurantes, é quase uma certeza, vamos assistir a restaurantes vazios, ao almoço, até essa data», assinala a PRO.VAR.
Para a associação, o Governo é «competente» na implementação de restrições para conter a pandemia, «mas esquece-se que as empresas têm que ser compensadas pelas perdas».
«O inquérito por questionário, com respostas válidas de 429 estabelecimentos de restauração, entre os dias 4 e 5 de janeiro, revela uma situação extremamente preocupante: três em cada quatro (75,1 por cento) empresas da restauração endividaram-se para manter os restaurantes abertos e quase metade (48,39 por cento) estão sobre-endividados e ponderam pedir insolvência, caso o Governo não intervenha com apoios a fundo perdido», sublinha.
Para a PRO.VAR, a verificar-se o encerramento de empresas consideradas viáveis em 2019, o Governo ficará com a marca de ter controlado a pandemia, mas por seu turno, de «ter encerrado definitivamente milhares de restaurantes por decreto».
Para responder aos desafios que se colocam no setor, a associação pediu nova reunião urgente ao Governo e adianta que vai pedir ao primeiro-ministro «a criação de um gabinete de crise interministerial, para garantir que no momento em que decorre a campanha eleitoral, as eleições e o no pós-eleitoral, o setor da restauração não fique abandonado».
A PRO.VAR diz ainda «não compreender por que razão o setor mais afetado seja ignorado nos debates políticos e desafia todos os políticos, convidando-os a visitar restaurantes para ouvirem os anseios e dificuldades dos empresários, de um dos setores mais afetados pela pandemia».